Na agitação que toma conta da escola britânica Chalvedon durante a hora do almoço, o assunto raramente é a política nacional.
Mas quando o tema aparece nos corredores movimentados dessa grande escola pública, a maior parte dos jovens diz que se sente alienado e ignorado pelo governo. Eles simplesmente não confiam em seus políticos.
A opinião dos jovens de Chalvedon, em Pitsea - uma área de baixo nível social de Essex (leste de Londres) - é típica dos jovens britânicos aptos a votar pela primeira vez na eleição de 5 de maio próximo.
- Acho que o governo age pensando apenas em manter-se no poder", disse Simon Merrett, de 18 anos.
- Não acho que eles escutem (a população) - disse ainda.
Apesar de a maior parte dos estudantes com direito a voto na escola ter dito que pretendia comparecer às urnas, muitos jovens do país não o farão.
Nos Estados Unidos, a campanha "Rock The Vote", não-partidária, disse ter convencido 1,4 milhão de jovens a votar nas eleições presidenciais realizadas ali no ano passado. Mas as pesquisas de opinião sugerem que a Grã-Bretanha carece de campanhas semelhantes.
Segundo Robert Worcester, do instituto Mori, apenas 27% dos eleitores entre 18 e 34 anos disseram ter certeza de que vão votar. Os britânicos que completaram recentemente 18 anos -- e podem, portanto, participar pela primeira de uma eleição - foram batizados de "as crianças de Blair". Eles tinham apenas 10 anos quando o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, subiu ao poder em 1997 com uma vitória folgada.
Peter Facey, diretor do grupo de estudos Rede da Nova Política, afirmou que os jovens eleitores desiludiram-se com a quebra de promessas nos anos seguintes, como as sobre o pagamento de despesas com o ensino superior ou sobre a guerra contra o Iraque.
- Temos uma geração de jovens, que são as crianças de Blair e que são as crianças da eleição de 1997. Ao escutar que as coisas vão melhorar, eles perguntam: 'Quando?.
O comparecimento às urnas dos jovens na eleição passada, em 2001, atingiu uma baixa recorde - apenas um terço dos eleitores com idades entre 18 e 24 anos votou. Espera-se um cenário semelhante no pleito de maio, já que os jovens parecem não conseguir ver uma relação direta entre seu voto e as questões pelas quais se interessam.
- O nível de apatia deve-se ao fato de os jovens ou de os estudantes não acharem que podem fazer qualquer diferença - disse Rajesh Joshi, de 21 anos, um estudante do King's College, em Londres.