Um programa de televisão no qual uma jovem de 16 anos oferece o filho que está esperando para ser adotado está causando acalorados debates sobre os limites do popular gênero "reality show".
O programa 20/20, apresentado pela conhecida jornalista Barbara Walters, documenta - no que é considerado um acontecimento televisivo sem precedentes - desde a gravidez da mãe até a entrega de seu filho aos novos pais.
No quadro Be my baby (Seja meu bebê), da rede ABC, Barbara entrevista cinco casais que "competem" para ganhar a guarda da criança.
As câmaras do 20/20 captarão o breve momento, de apenas meia hora, em que cada casal tenta convencer a jovem grávida de que serão os melhores pais para o filho que ela está esperando.
Segundo a descrição do programa no site da ABC, a grande pergunta da noite será se, depois de tudo, esta jovem estudante do segundo grau "estará realmente pronta para abrir mão de seus direitos legais quando o bebê nascer e ela puder pegá-lo nos braços".
A futura mãe, Jessica, sonha ser enfermeira e afirmou que quer ficar com o filho, mas a mãe e o padrasto da jovem acham que o bebê será um fardo demais para a família.
Jessica diz estar de acordo, desde que a adoção seja "aberta", ou seja, que ela conheça os futuros pais de seu filho e que estes permitam que ela e a família possam fazer parte da vida do bebê que está para nascer.
A agência de adoção que fez o contato entre os potenciais pais e a rede ABC assegura que a principal mensagem deste programa é que as futuras mães têm a opção de manter uma relação com seus filhos, mesmo quando não podem assumir as responsabilidades da maternidade, para as quais ainda não estão prontas.
Quanto aos pais adotivos, a agência assinala que a idéia é ensinar-lhes os benefícios da abertura do processo e como esta pode ser uma opção saudável, a favor do bem-estar da criança.
Alguns pais, psicólogos e centros de adoção consideram todo o procedimento uma transgressão dos limites da televisão como meio de informação, educação e entretenimento e uma estratégia nada ética na disputa pela audiência.
Os debates se espalharam por diversos sites e blogs da Internet, e têm gerado protestos em frente à ABC.
Em uma mensagem de e-mail enviada a seus fãs, Barbara, que também é mãe adotiva, diz que "as pessoas têm uma impressão equivocada deste programa", já que a ABC não escolheu os casais nem tentou influenciar seus resultados. Para colocar mais lenha na fogueira, o parapsicólogo israelense Uri Geller disse esta semana que tomaria providências legais para deter a transmissão do programa, mas não precisamente por ser contra o seu conteúdo.
Segundo Geller, o programa é uma cópia descarada de seu romance ainda não-publicado, Nobody¿s Child (Criança de ninguém), que conta a história de um jogo de "reality TV" onde cinco casais de pais competem para ganhar um filho.