Adisputa por um telefone público instalado na 1a Travessa Santo Antônio, bairro do Iapi, terminou com a morte do estudante Edson Antônio Leão Bahia, 14 anos, neste domingo à noite, atingido com tiros na cabeça desferidos pelo vizinho Luciano Coelho da Paz. Os disparos eram endereçados ao tio do garoto, o biscateiro Fábio Soares Leão, 25, baleado na coxa esquerda, que se recupera no Hospital Ernesto Simões Filho (Hesf), no Pau Miúdo. Luciano fugiu e está sendo procurado por agentes da 2a Delegacia (Liberdade). A discussão teve início por volta das 23h, quando Fábio atendeu ao telefone que tocava incessantemente. Em seguida, Luciano apareceu na porta da casa de nº 17, localizada em frente ao "orelhão", dizendo que somente ele poderia atender os chamados. Sem compreender o que estava ouvindo, Fábio não deu atenção ao que o vizinho bradava e continuou falando ao aparelho. Então, o homicida interrompeu a conversa e desferiu um soco no rosto da vítima. Enquanto se desenrolava a confusão, Edson se mantinha encostado na parede de sua casa, a cerca de três metros do telefone. Do lado de dentro da residência, sua prima Patrícia Leão Gomes, 20, foi até a janela para ver o que estava ocorrendo, quando ouviu o homicida falar que o negócio dele não era briga de mão, sacando um revólver calibre 38 e apontando contra Fábio. Ao vê-lo armado, o rapaz correu pela rua na tentativa de escapar, enquanto Edson tentou acalmar o homicida, sendo baleado na cabeça. Ele morreu momentos depois a caminho do hospital. Fábio já se encontrava a cerca de 20 metros do assassino quando ouviu os disparos e se virou para ver o que havia ocorrido, sendo atingido na altura da virilha. A correria que se formou na área propiciou a fuga de Luciano, que desapareceu com a mulher e o filho pequeno. Na segunda, pela manhã, agentes da 2ª DP foram até a casa de uma irmã do criminoso, que mora a um quarteirão de onde ocorreu o crime. Na varanda da residência, cercada por grades, puderam ver uma trouxa de roupas que ela deveria estar providenciando para levar ao irmão, que não teve tempo de pegar todos os pertences. A casa de nº 17 da 1a Travessa Santo Antônio amanheceu fechada. Morando há dois meses no local, corria o boato entre a vizinhança que ele estaria fugido do Engenho Velho de Brotas, onde residia antes de se mudar para o IAPI, pelo fato de ter matado um homem. O delegado Antônio Carlos dos Santos, titular da 2ª DP, instaurou inquérito, depois de expedir guia de remoção do corpo do estudante para o Instituto Médico-Legal Nina Rodrigues (IMLNR). Na segunda, pela manhã, parentes e amigos de Edson empunhavam cartazes pedindo justiça pela morte do garoto. Patrícia foi ouvida pelos policiais que investigam o caso e deverá comparecer à 2ª DP nos próximos dias para prestar depoimento.
Jovem morre em disputa por telefone público na Bahia
Terça, 08 de Julho de 2003 às 00:49, por: CdB