A violência continua a fazer parte do cotidiano das escolas públicas do Distrito Federal.
L. M., 15 anos, apanhou na saída do Centro de Ensino Fundamental nº 4, escola Setor Leste do Gama, cidade a cerca de 35 quilômetros do centro de Brasília.
A briga aconteceu nesta, por volta das 11h. L. voltava para casa, depois de ter feito prova de matemática, quando um grupo de alunos da escola começou a espancá-lo. A pancadaria durou cinco minutos, tempo suficiente para que o rapaz ficasse com marcas roxas nos braços, costas e pernas.
L., aluno da 8ªsérie do Centro de Ensino Fundamental, garante não ter provocado a briga. Também desconhece o motivo pelo qual apanhou.
-Não sei por que eles não gostam de mim, nunca mexi com ninguém. -defende-se o rapaz que, acompanhado da mãe, esteve na 14ªDelegacia de Polícia (DP) para registrar ocorrência.
-Estou muito assustada, tenho medo que eles marquem meu filho-desabafa a mãe do garoto, Ivoneide Alves Soares, 37.
De acordo com alunos que testemunharam a briga, os agressores são três estudantes da 7ªsérie do colégio - todos menores de idade.
-De manhã cedo, eles já comentavam que iriam pegar o L- conta um aluno da escola que pediu para não ser identificado.
Os estudantes acrescentam que brigas são comuns nas cercanias da escola de 5ªa 8ªsérie.
- Eles se enfrentam em um campinho de futebol aqui perto do colégio- diz Priscila Naiara, 14 anos, aluna da 7ª série.
O Centro de Ensino Fundamental nº 4 está localizado em uma das partes mais perigosas do Gama: o Setor Leste. A área já registrou conflitos entre gangues de jovens, mas, segundo a Polícia Civil, ainda não é possível afirmar se é o caso da briga .
-Os alunos envolvidos e os pais serão convocados a prestar esclarecimentos na Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA)- informou a delegada adjunta da 14ªDP, Lúcia Cândida da Silva.
De acordo com ela, a delegacia não tem notícia de outras ocorrências envolvendo alunos da escola.
A diretora do colégio, Arita Ane Antunes de Sousa, afirma que essa foi a primeira confusão registrada no ano.
-Não sei ainda o que aconteceu, só amanhã (quarta-feira) quando ouvir os outros alunos poderei esclarecer o motivo da briga. É lamentável, mas só posso garantir a segurança deles aqui dentro da escola. Do lado de fora, não é minha parte.- explica Arita, que entrou na briga para tentar separar os adolescentes.
A escola dispõe de policiamento fixo feito pelo Batalhão Escolar. Dois policiais se revezam das 8h às 16h e das 16h às 23h.
Para a mãe de L., a sensação é de impotência em relação à segurança da família.
-Não consigo entender o que está acontecendo com esses jovens- lamenta Ivoneide Alves Soares.
Assustada com a violência no Setor Leste, ela já estava disposta a mudar de endereço, mas agora tem certeza de que fará isso o quanto antes. Até o dia 23 de dezembro, quando se encerrarão as aulas no Centro de Ensino Fundamental nº 4, a mãe promete escoltar o garoto diariamente no trajeto entre a casa e a escola.