Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

José Maria Aznar abandona o poder

Segunda, 15 de Março de 2004 às 01:18, por: CdB

Depois de oito anos no governo, José María Aznar abandonará o poder com o gosto amargo da inesperada derrota de seu Partido Popular (PP, direita) e de seu candidato Mariano Rajoy, nas eleições gerais do último domingo, realizadas três dias depois dos sangrentos atentados de Madri.

Sem pronunciar uma palavra e ostentando uma cara fechada, Aznar escoltou Rajoy na noite na entrevista coletiva à imprensa, durante a qual foi anunciada a derrota do PP.

Aznar, que há exatamente um ano se reunia com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, nos Açores para preparar a ofensiva no Iraque, sonhava com um final de mandato bem diferente.

- Tenho a honra e o orgulho de ter servido a Espanha. Vou embora com a consciência tranqüila. Acredito sinceramente que a Espanha está melhor hoje, no ano de 2004, de que no ano de 1996, quando cheguei ao poder - declarou Aznar em 19 de janeiro, em uma despedida antecipada após a dissolução do Congresso e do Senado.

O dirigente conservador, com 61 anos, abandona a cena política depois de eleições atípicas, realizadas no contexto dramático dos atentados mais mortíferos da história da Espanha, com 200 mortos e quase 1.500 feridos.

O massacre de Madri poderia afetar seriamente a opinião que ficará na história sobre Aznar, se for comprovado que esta tragédia nacional foi uma conseqüência de sua decisão pessoal de apoiar Washington na guerra contra o Iraque, à qual 91% dos espanhóis eram opostos.

- A história poderá ser muito cruel com Aznar - afirmava o historiador Javier Tussel no início de fevereiro.

Pragmático, Aznar queria abandonar a cena política deixando à sua formação o comando do governo.

- Aznar provavelmente queria abandonar a política como Carlos V, e acabou saindo como Alfonso XIII - ironizou na noite de domingo Arnaldo Otegi, o porta-voz da interditada formação radical basca Batasuna, considerada o braço político da ETA.

Otegi se referia ao imperador que, depois de abdicar, se retirou num mosteiro, e ao rei que teve de deixar a Espanha por causa da vitória dos republicanos nas eleições municipais de 1931.

Em oito anos no poder, Aznar, pai de três filhos, marcou profundamente o panorama político espanhol, apesar de sua falta de carisma e de talento como orador.

Sua gestão rigorosa coroada por sucessos no âmbito econômico, sua tenacidade e sua intransigência frente ao terrorismo basco lhe permitiram fortalecer sua autoridade no governo e no seu partido.

O próprio Aznar escapou ileso de um atentado com carro-bomba da organização separatista basca ETA, em abril de 1995. Este episódio, que lhe trouxe uma grande simpatia da opinião pública e teve influência na sua vitória em março de 1996, explica sua posição após os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, ou sua luta sem trégua contra o terrorismo.

Aznar nasceu em 25 de fevereiro de 1953 numa família católica e burguesa. Entrou na política em 1979, ao se juntar com sua esposa Ana Botella à Aliança Popular (AP, direita pós-franquista), que se tornou o Partido Popular em 1989.

Em poucos meses, Aznar assumiu o cargo de secretário-geral da AP na região de Rioja (norte). Foi eleito deputado em 1982, quando os socialistas chegavam à presidência do governo.

Em 1987, se tornou presidente do governo autônomo de Castilla e León (centro) e em 1990, com 37 anos, assumiu o comando do PP. Sob sua impulsão, este partido conservador se orientou ao centro, substituindo os caciques do franquismo por jovens políticos.

Depois de uma reeleição triunfal em março de 2000 com maioria absoluta no Congresso dos Deputados, Aznar orientou novamente seu partido à direita, apoiando sem reservas o governo republicano de Bush na sua gestão da crise iraquiana.

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