Rio de Janeiro, 19 de Agosto de 2026

José Guimarães diz que governo pode reverter situação

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), negou qualquer tom de despedida, mas admitiu que o governo será derrotado na votação de quarta-feira que vai decidir sobre o afastamento de Dilma Rousseff.

Terça, 10 de Maio de 2016 às 09:41, por: CdB

José Guimarães negou novos rumores de que a presidenta renunciará ao cargo ainda nesta terça-feira

Por Redação, com ABr - de Brasília:
Horas depois do presidente em exercício da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA) revogar a decisão de anular as sessões da Câmara em que foi aprovada a admissibilidade do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, o líder do governo na Casa, José Guimarães (PT-CE), fez um balanço, negando qualquer tom de despedida, mas admitiu que o governo será derrotado na votação de quarta-feira, no Senado, que vai decidir sobre o afastamento da petista. - Qualquer que seja o desdobramento desta crise, vamos continuar firmes. A presidenta Dilma e eu não jogamos a toalha - garantiu.
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Guimarães garantiu que nos 180 dias de afastamento de Dilma, o partido irá continuar tentando reverter o processo
Em um café da manhã com jornalistas, na véspera da votação do afastamento, o parlamentar mostrou confiança de que a situação será revertida na segunda fase da análise do processo de impeachment, quando senadores vão se debruçar sobre as provas. - Estou convencido que vamos continuar no governo. Temos ampla condições de reversão deste quadro - afirmou. O otimismo, Guimarães explicou que vem da sensação de que a população mudou de posição em relação ao que ocorreu há quatro meses, quando foi iniciado o processo contra Dilma. - O espetáculo do dia 17 [durante a sessão da Câmara que aprovou o afastamento] chocou o país - citou como exemplo, ao lembrar que, para o voto favorável, os parlamentares alegaram razões que não estavam no relatório da admissibilidade. Além disto, o petista afirmou que a população está “tomando consciência do que estava em jogo, o que estava por vir, do afastamento de [Eduardo] Cunha, e há um processo de mobilização”, afirmou. Segundo ele, todas as manifestações, desde o último dia 18, são a favor da permanência de Dilma. - Será um futuro glorioso. A presidente será uma liderança importante que vai somar ao ex-presidente Lula - apostou Guimarães. Ele negou novos rumores de que a presidenta renunciará ao cargo ainda nesta terça-feira. - Todo dia inventam isto. É mais uma invenção midiática. Engana-se quem pensa que a presidente Dilma foge à luta. Nunca vi tanta fortaleza e tanta força. É uma invenção maldosa - assegurou. O líder governista ainda afirmou que o PT passa por um período de reflexão e que precisa pensar em 2018, independente da candidatura de Lula, ao lado de outros partidos da esquerda. - O PT não pode querer continuar tocando sozinho - afirmou, antecipando que esta é a postura que irá defender durante a reunião do diretório nacional do partido, em Brasília, nos próximos dias 16 e 17. Governo provisório Guimarães garantiu que nos 180 dias de afastamento de Dilma, o partido irá continuar tentando reverter o processo. - Não abandonamos Dilma nem quando ela tinha 8% [de aprovação] imagina agora? - disse. Segundo ele, há manifestações que indicam que alguns senadores podem mudar de posição durante esta segunda fase do processo. Quanto ao provável governo Michel Temer, o petista chegou a admitir que dependerá dos resultados que conseguirem apresentar à sociedade nos primeiros dias, mas lembrou que “é muito difícil adminstrar um governo tão díspare”. José Guimarães apontou números de melhora do cenário econmico e afirmou que são resultados de medidas adotadas pelo governo Dilma , que já eram previstas pelo ministro da Fazenda Nelson Barbosa para meados de maio. Segundo ele, Temer irá “colher os louros” deste esforço. Waldir Maranhão Sobre o recuo do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão, nesta madrugada, Guimarães lamentou. - Penso que foi por conta das pressões que foram feitas. Não foram explicitadas as razões. Mas ele é presidente interino da Câmara, assim como tomou a decisão de anular, tomou a decisão de revogar. Eu só lamento. De qualquer maneira, vamos continuar firmes na luta contra o golpe - afirmou. Ao comentar a decisão de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, que recusou a decisão de Maranhão antes mesmo que fosse revogada, Guimarães disse ter ficado “triste” mas não “decepcionado” com o peemedebista que, segundo ele, sempre teve posicionamento isento. - O que fizemos foi defender a democracia - afirmou, sem admitir se houve ou não interferência do governo na suspensão da votação que durou pouco menos de 12 horas.
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