A CPI do Mensalão ouve, nesta terça-feira, o depoimento do ex-presidente do PT José Genoino. Os parlamentares querem mais informações sobre empréstimos ao PT pelo empresário Marcos Valério, acusado de ser o operador do esquema de pagamento de mesadas a partidos da base em troca de apoio ao governo.
Na gestão de Genoino na presidência do PT, o partido fez oficialmente dois empréstimos avalizados pelo empresário Marcos Valério: um no Banco Rural, no valor de R$ 3 milhões, em 14 de maio de 2003; outro no BMG, no valor de R$ 2,4 milhões, também em 2003. No segundo empréstimo, Valério chegou a pagar uma parcela de R$ 350 mil, relativa a juros.
Inicialmente, o então presidente do PT negou que tivesse conhecimento do aval de Marcos Valério ao partido. Em seguida, Genoino afirmou que havia assinado o documento "em confiança" ao então tesoureiro do partido, Delúbio Soares.
Além desses dois empréstimos, que estão registrados na contabilidade do PT, Delúbio Soares afirma que Marcos Valério obteve mais R$ 55 milhões emprestados nos dois bancos e os repassou ao partido. Hoje, essa dívida somaria R$ 100 milhões. Delúbio assume total responsabilidade por esses empréstimos em caixa 2.
O deputado Odair Cunha (PT-MG) espera que os depoimentos desta semana possam ajudar a comissão a descobrir se o mensalão realmente existiu. Ele reconhece que há evidências, mas "provas materiais do fato, não há". O parlamentar petista diz que as provas apresentadas até agora confirmam apenas que houve acordos políticos eleitorais.
- É lógico que de uma forma muito ruim, mas é o que está provado até o momento.
Já o deputado Júlio Redecker (PSDB-RS), também integrante da comissão, não tem dúvidas de que o mensalão existiu.
- Como alguma coisa paga mensalmente, com dia certo, realmente não existe. Mas que há uma concentração de recursos espúrios destinados a parlamentares antes e após as votações importantes, isso não há como negar.