Em entrevista à Piauí, uma revista mensal distribuída nas bancas de todo o país, o advogado, ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu de Oliveira e Silva afirmou que o Partido dos Trabalhadores aportou dinheiro de caixa 2 na construção da sede regional de Porto Alegre, um dos principais redutos da legenda. A declaração acrescenta uma série de críticas aos petistas Raul Pont, ex-prefeito de Porto Alegre, e Olívio Dutra, presidente do partido no Estado.
- Ele fica falando que o partido não precisa de coligação... Tenha paciência - disse Dirceu, na entrevista, a respeito de Pont.
Sobre a sede, em Porto Alegre, o militante petistas desabafa:
- O que fizemos por esse pessoal não é brincadeira. E eles não ajudam em nada, só nos dão pau. A sede de Porto Alegre foi feita só com dinheiro de caixa 2. Era com mala de dinheiro.
Ressentido, Dirceu também criticou Olívio Dutra. Ele lembrou que seu grupo no PT esteve ao lado de Olívio, quando a denúncia atingiu seu governo.
- A gente estava com eles, não os abandonamos em nenhum minuto - disse.
A metralhadora giratória do ex-guerrilheiro, de codinome Daniel, também acertou, em cheio, a ex-petista Heloísa Helena.
- Ela votou contra a cassação do Luiz Estevão. Votou mesmo, e por motivos impublicáveis. Mas nunca a deixamos sozinha - lembrou.
Heloisa Helena, no entanto, não deixou as acusações de lado e partiu para o ataque, em entrevista a jornalistas, na manhã desta sexta-feira, em Maceió, a ex-senadora, presidente do Psol e candidata derrotada à Presidência da República prometeu processar o ex-companheiro de lutas.
- Além de ser um conhecido ladrão dos cofres públicos - que anda por aí, passeando pelo Brasil e gastando todo o dinheiro que ele roubou do povo, enquanto eu estou na sala de aula ganhando meu salário como professora -, ele se mostra um velho, machista e canalha - disse ao diário paulista O Estado de São Paulo.
Ao acusar os petistas do sul de utilizar o caixa 2, Dirceu lembrou que "esse pessoal" procurava o Delúbio Soares, então tesoureiro do partido, para pedir dinheiro.
- Chegava para Delúbio e falava: 'Delúbio, preciso de 1 milhão'. Como é que alguém vai arrumar esse dinheiro assim, de uma hora para outra? - questionou, argumentou.
Se não eram atendidos, lembrou José Dirceu, culpavam a direção, dizendo que era autoritária e privilegiava sua própria corrente.
- O pobre do Delúbio tinha de ir aos empresários conseguir doações. Aí, estoura o mensalão e esse pessoal vem dizer que o Delúbio era o homem da mala. O que não dizem é que a mala era para eles - afirmou.
O atual presidente do Senado também foi atingido pelos disparos do ex-ministro. Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) foi chamado de "gaiato".
- Já trocou o guarda-roupa e deve estar arrumando os dentes, e isso vai dar um trabalho danado. Esse Garibaldi tem duas rádios. E fica por isso mesmo - afirmou ele, condenando o fato de outros senadores também serem proprietários de emissoras de rádio.
O tiroteio também acertou o senador Jefferson Péres (PDT-AM).
- (Ele) fica aí posando de arauto da moralidade e a mulher trabalha no gabinete dele. É nepotismo - apontou.
A eleição de 2010 também constou da entrevista à publicação. Dirceu vê reduzidas as chances de as ministras Dilma Rousseff (Casa Civil) e Marta Suplicy (Turismo) sairem vitoriosas de uma possível disputa ao Planalto.
- Se eu ainda tivesse a petulância de me candidatar à Presidência, era capaz até de ser eleito - brincou.
Em nota, no final da noite desta quinta-feira, Dirceu esclarece que não teve a intenção de apresentar denúncia ao falar sobre o PT de Porto Alegre. Ele apenas repetiu acusação feita pela oposição ao partido no Estado, que não foi provada, disse a assessoria do ex-ministro.