Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

José Dirceu diz que se sentiu traído

Pela primeira vez, desde o início da crise, o ministro José Dirceu reconheceu que errou por ter confiado em Waldomiro Diniz, seu assessor na subchefia de Assuntos Parlamentares da Casa Civil. O desabafo foi feito durante jantar, na casa do presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha.(Leia Mais)

Sexta, 20 de Fevereiro de 2004 às 05:47, por: CdB

Pela primeira vez, desde o início da crise, o ministro José Dirceu reconheceu que errou por ter confiado em Waldomiro Diniz, seu assessor na subchefia de Assuntos Parlamentares da Casa Civil. O desabafo foi feito durante jantar, na casa do presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, com a presença de alguns deputados, líderes partidários e ministros.

Dirceu, segundo deputados que participaram do jantar, lamentou que tenha provocado " indiretamente " a mais grave crise enfrentada pelo governo Lula até agora. Em discurso feito de improviso, o ministro disse estar " chateado " e " constrangido " com a revelação de que seu ex-assessor cobrou propina de um bicheiro e dinheiro para financiamento de campanha eleitoral, em troca de favorecimento numa concorrência pública.

— O governo, lamentavelmente, não detectou isso antes —  disse Dirceu, segundo dois participantes do jantar.

O ministro contou que, no ano passado, chegou a cobrar explicações de Waldomiro quanto surgiram denúncias contra ele. O problema, disse Dirceu, é que Waldomiro o convenceu de sua honestidade, tendo, inclusive, solicitado a abertura de investigações. " Eu me sinto amargurado. Fui traído por uma pessoa da minha confiança " , declarou o ministro da Casa Civil.

Dirceu confirmou que, abalado pelo Caso Diniz, chegou a pedir demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula rejeitou o pedido e, no jantar, Dirceu afirmou que, diante do apoio do presidente, não cogita mais deixar o governo.

No início da crise, Dirceu planejou fazer um pronunciamento à Nação ou dar uma entrevista coletiva, para assegurar que não teve nenhum envolvimento nas irregularidades cometidas por Waldomiro. Segundo ele, o presidente Lula, no entanto, ordenou que ele não se pronunciasse sobre o assunto.

No discurso, o ministro lembrou que, em 2003, o governo sofreu o " pão que o diabo amassou " para aprovar as reformas e que, agora, havia chegado o momento de promover a retomada da economia, de implantar os novos programas sociais e de promover a distribuição de renda no país. Por causa do escândalo envolvendo seu assessor, admitiu Dirceu, governo e Congresso correm o risco de ficar parados. O ministro reiterou que é contra a instalação de uma CPI para apurar o Caso Diniz, mas que, se isso acontecer, " a oposição está no papel dela " .

Quatro ministros também compareceram à casa de João Paulo para prestar solidariedade a José Dirceu: Aldo Rebelo (Coordenação Política), Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia), Eunício Oliveira (Comunicações) e Walfrido Mares Guia (Turismo). Curiosamente, nenhum deles é filiado ao PT - Rebelo é filiado ao PCdoB, Campos ao PSB, Eunício ao PMDB e Mares Guia ao PTB.

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