Rio de Janeiro, 14 de Fevereiro de 2026

José Dirceu diz que imprensa interferiu no julgamento do <i>mensalão</i>

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu declarou na quinta-feira que houve uma "interferência brutal" da imprensa no resultado do julgamento do Supremo Tribunal Federal no qual ele e mais 39 pessoas foram transformados em réus no caso do mensalão. (Leia Mais)

Quinta, 30 de Agosto de 2007 às 18:19, por: CdB

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu declarou na quinta-feira que houve uma "interferência brutal" da imprensa no resultado do julgamento do Supremo Tribunal Federal no qual ele e mais 39 pessoas foram transformados em réus no caso do mensalão.

— Estamos caminhando quase para uma ditadura da mídia —, declarou.

Durante entrevista coletiva em São Paulo Dirceu evitou críticas diretas aos ministros do tribunal , mas afirmou que eles sofreram "pressão da mídia" para aceitar a denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza.

— A publicação dos e-mails foi uma interferência brutal. Houve uma campanha para [o STF] aceitar a denúncia —, declarou, em referência à revelação, pelo jornal O Globo, de mensagens por computador trocadas durante o julgamento entre os ministros Carmen Lúcia e Ricardo Lewandowski.

Nas mensagens, os ministros discutiram um suposto acordo que poderia influenciar o resultado do julgamento.

Dirceu voltou a classificar nesta quinta como "injusta" a aceitação da denúncia contra ele pelo STF e afirmou que o mensalão nunca existiu. Sobre o mensalão, o ex-ministro e deputado cassado foi enfático ao dizer que "não houve".

— Não está provado que houve mensalão —, afirmou Dirceu.

— Já declarei que não volto à direção do PT. Eu já cumpri com minha obrigação com partido. O PT tem outros quadros. Vou participar do encontro [o Congresso Nacional do partido acontece entre sexta-feira e domingo] como militante —, destacou ele.

O ex-ministro afirmou que a decisão do Supremo Tribunal Federal não atinge o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem o PT. Segundo Dirceu, "nem o presidente nem o governo estão sendo julgados". Para ele, o PT "já pagou um preço por tudo isso".

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