O líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), e o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) afirmaram, nesta segunda-feira, confiar na isenção do trabalho investigativo realizado pela Polícia Federal (PF). Ambos acreditam que a instituição não aceitará fazer o "papelão" de investigar parcial e limitadamente o dossiê sobre gastos com cartões corporativos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de sua esposa, Ruth Cardoso, além de outros três ex-ministros de sua gestão, conforme, segundo eles, pretende o governo.
Agripino acusou o governo Lula de ter utilizado a máquina pública para produzir um dossiê com o claro objetivo de incriminar pessoas. Na sua opinião, o principal, nesse caso, não é quem vazou as informações para a imprensa, mas quem produziu o dossiê e com qual objetivo.
- Eu não acredito que a Polícia Federal se submeta ao papel destroçador de servir aos interesses de um Estado que tem de se explicar. Nós estamos chegando a um limite em que as explicações terão que ser dadas. Não adianta tentar usar a credibilidade da PF para justificar o injustificável. A PF pode e deve entrar na investigação, mas para esclarecer tudo e não apenas um pequeno pedaço da história - sustentou.
Heráclito reivindicou uma investigação completa sobre o episódio, dizendo ter estranhado o fato de o governo não querer investigar a tese, desenvolvida dentro do Palácio do Planalto, da existência de um espião na Casa Civil.
- Ora, se eu estou com um espião lá dentro, vocês me dizem que é um espião e não querem investigar o espião? Que história é essa? Como é que você vai conviver com um inimigo e não quer saber quem é esse inimigo? Ou então não é tão inimigo assim. É preciso que essas coisas fiquem bem claras. Essa proximidade do governo com o espião está me cheirando a pastelão mexicano - comparou.
Agripino observou que a PF deve investigar a origem de tudo, pois está em jogo a palavra do ministro da Justiça, Tarso Genro, e a da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que afirmaram a inexistência do dossiê.
- O dossiê existe e a acusação é de que o dossiê saiu do Gabinete Civil. A palavra de dois ministros está sub judice e o instrumento do Estado, a instituição chamada Polícia Federal, é que pode, em benefício da sociedade, esclarecer esses fatos - afirmou o líder do DEM.
Agripino disse ainda ter certeza absoluta de que o requerimento para a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) dos cartões corporativos exclusiva do Senado será lido nesta terça-feira e que os partidos políticos vão cumprir a sua obrigação de indicar os membros. Caso os partidos governistas não o façam, acredita que o presidente do Senado fará as indicações conforme manda o regimento.
- O que eu quero ver é o perfil dos indicados pela base do governo. Se forem pessoas que em outras CPIs agiram com isenção e com respeito à sociedade, nós chegaremos a conclusões. Se Suplicy e Casagrande fizerem parte da base do governo nesta CPI, ela cumprirá a sua obrigação perante a sociedade. Se indicarem outras pessoas que não têm compromisso com a sociedade, o governo e essas pessoas poderão pagar um preço alto perante o conceito do povo do Brasil - comentou, referindo-se aos senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Renato Casagrande (PSB-ES).
O senador pelo Rio Grande do Norte aposta numa correlação de forças mais equilibrada e democrática na nova CPI que na CPMI dos Cartões Corporativos. Sua expectativa é de que haja um debate mais denso, consistente e maduro. Sobre os depoimentos agendados esta semana na CPI Mista dos Cartões Corporativos, considerou que serão vigiados, com a retaguarda governista impedindo que seja dito aquilo que a sociedade quer ver esclarecido.
- A presidente da CPI Mista [senadora Marisa Serrano (PSDB-MS)], diante do que aconteceu na quinta-feira passada, com a negativa de todos os requerimentos e com os depoimentos insossos que devem acontecer esta semana, deverá abrir prazo pa
José Agripino confia em isenção da PF na investigação do dossiê
Segunda, 07 de Abril de 2008 às 18:20, por: CdB