Rio de Janeiro, 27 de Maio de 2026

Jornalistas pedem ao goveno filipino fim dos ataques aos profissionais

Sexta, 13 de Maio de 2005 às 03:03, por: CdB

União Nacional de Jornalistas das Filipinas (NUJP, sigla em inglês) exigiu, nesta sexta-feira, que a presidenta Gloria Macapagal Arroyo ordene ao Exército que ponha fim a sua campanha de calúnias contra os profissionais, que contribui para a onda de assassinatos.

- Se as Forças Armadas têm de verdade um comandante-em-chefe, desafiamos a presidenta Gloria Macapagal Arroyo: reine sobre suas tropas. Diga a elas que cessem sua campanha de calúnias. O silêncio perante essas ameaças e assédio é uma virtual declaração de guerra contra a imprensa - assinalou um comunicado do NUJP.

A organização profissional se referia às declarações de altos responsáveis das Forças Armadas que classificaram os jornalistas de "inimigos do Estado" e os incluíram em uma lista negra.

Também criticava a recente apresentação de um livro do chefe do distrito militar do Norte de Luzon, no qual se afirmava sem dúvida nenhuma que "um grupo comunista clandestino controla a NUJP".

A União de Jornalistas criticou também a proposta feita ontem pela presidenta para realizar na próxima segunda-feira uma reunião com todas as partes interessadas -governo, polícia, imprensa, e outros- a fim de abordar a escalada de violência contra os jornalistas, que estão sendo dizimados em vários assassinatos.

- Uma reunião de blá blá blá não resolverá o problema. As forças de segurança e a liderança nacional conhecem o problema. Em muitos casos, os suspeitos (dos assassinatos) ou seus instigadores são policiais ou militares na ativa ou reformados - acrescenta a NUJP.

Esta semana foi assassinado com vários tiros no norte das Filipinas o quinto jornalista neste ano, após deixar preparada a edição de seu jornal no qual denunciava um caso de corrupção envolvendo o prefeito de sua localidade.

Em 2004 foram assassinados 13 jornalistas, a maioria em províncias, e desde que a presidenta Macapagal Arroyo assumiu o poder, em 2001, 23 morreram de forma violenta.

Segundo a Federação Internacional de Jornalistas, desde que em 1986 a ditadura de Marcos caiu, 68 jornalistas foram assassinados.

- Se há algo que os jornalistas filipinos não precisam é de uma cúpula para discutir sobre os assassinatos de nossos colegas - acrescenta o comunicado.

A NUJP destaca entre os problemas que impedem a resolução destes assassinatos -além da falta de vontade política e a cultura da impunidade- o fato de não existir um programa efetivo de proteção de testemunhas, muitas das quais também são assassinadas antes de poderem depor.

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