União Nacional de Jornalistas das Filipinas (NUJP, sigla em inglês) exigiu, nesta sexta-feira, que a presidenta Gloria Macapagal Arroyo ordene ao Exército que ponha fim a sua campanha de calúnias contra os profissionais, que contribui para a onda de assassinatos.
- Se as Forças Armadas têm de verdade um comandante-em-chefe, desafiamos a presidenta Gloria Macapagal Arroyo: reine sobre suas tropas. Diga a elas que cessem sua campanha de calúnias. O silêncio perante essas ameaças e assédio é uma virtual declaração de guerra contra a imprensa - assinalou um comunicado do NUJP.
A organização profissional se referia às declarações de altos responsáveis das Forças Armadas que classificaram os jornalistas de "inimigos do Estado" e os incluíram em uma lista negra.
Também criticava a recente apresentação de um livro do chefe do distrito militar do Norte de Luzon, no qual se afirmava sem dúvida nenhuma que "um grupo comunista clandestino controla a NUJP".
A União de Jornalistas criticou também a proposta feita ontem pela presidenta para realizar na próxima segunda-feira uma reunião com todas as partes interessadas -governo, polícia, imprensa, e outros- a fim de abordar a escalada de violência contra os jornalistas, que estão sendo dizimados em vários assassinatos.
- Uma reunião de blá blá blá não resolverá o problema. As forças de segurança e a liderança nacional conhecem o problema. Em muitos casos, os suspeitos (dos assassinatos) ou seus instigadores são policiais ou militares na ativa ou reformados - acrescenta a NUJP.
Esta semana foi assassinado com vários tiros no norte das Filipinas o quinto jornalista neste ano, após deixar preparada a edição de seu jornal no qual denunciava um caso de corrupção envolvendo o prefeito de sua localidade.
Em 2004 foram assassinados 13 jornalistas, a maioria em províncias, e desde que a presidenta Macapagal Arroyo assumiu o poder, em 2001, 23 morreram de forma violenta.
Segundo a Federação Internacional de Jornalistas, desde que em 1986 a ditadura de Marcos caiu, 68 jornalistas foram assassinados.
- Se há algo que os jornalistas filipinos não precisam é de uma cúpula para discutir sobre os assassinatos de nossos colegas - acrescenta o comunicado.
A NUJP destaca entre os problemas que impedem a resolução destes assassinatos -além da falta de vontade política e a cultura da impunidade- o fato de não existir um programa efetivo de proteção de testemunhas, muitas das quais também são assassinadas antes de poderem depor.
Jornalistas pedem ao goveno filipino fim dos ataques aos profissionais
Sexta, 13 de Maio de 2005 às 03:03, por: CdB