Os quase 2 mil jornalistas que morreram no exercício da profissão em todo o mundo desde 1944 serão homenageados a partir de deste sábado no Memorial dos Repórteres, em Bayeux, no noroeste da França. Segundo a Prefeitura de Bayeux e a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), o espaço de homenagem e informação permanente é o primeiro deste tipo na Europa. Bayeux foi a primeira cidade a ser liberada após o desembarque das forças aliadas na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
O local é um passeio paisagístico de 500 metros, com pedras brancas que criam um muro de dois metros, onde estão os nomes dos profissionais mortos em todo o mundo. A frase "Querer ser livre é querer também a liberdade dos outros", da escritora Simone de Beauvoir, abre o passeio. O Memorial dos Repórteres fica entre o Museu da Batalha da Normandia e o cemitério de guerra de Bayeux, onde estão os restos dos soldados mortos no desembarque aliado de junho de 1944.
O lugar foi projetado pelo arquiteto e paisagista francês Samuel Craquelin, premiado pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Senado franceses. O memorial será inaugurado na ocasião da 13ª edição do prêmio Bayeux para correspondentes de guerra, criado no 50º aniversário do desembarque da Normandia, que marcou o início da libertação da França da ocupação nazista.
Todos os anos, o evento premia com 7.600 euros reportagens sobre conflitos ou sobre suas conseqüências para os civis nas categorias de imprensa, rádio, televisão e fotografia. Com a criação do memorial, os organizadores querem que os jornalistas mortos nunca sejam esquecidos e que todos lembrem o perigo ao qual os profissionais dos meios de comunicação se expõem diariamente para poder fazer seu trabalho.
Segundo a Associação Mundial de Jornais, 2006 foi o mais mortífero para os profissionais de imprensa. Até setembro último, 75 jornalistas e outros profissionais dos meios de comunicação haviam sido assassinados. De acordo com a RSF, a guerra no Iraque, com 103 jornalistas mortos em três anos, é o conflito mais violento para o grupo desde a Segunda Guerra Mundial.
"Nos últimos 20 anos, os jornalistas se transformaram, talvez mais do que nunca, em alvos prioritários", diz a RSF, citando Iraque, Filipinas, México, Colômbia, Rússia, Paquistão e Sri Lanka como países mais perigosos para os profissionais de imprensa.
Na inauguração do memorial, quando será lida uma mensagem do ministro das Relações Exteriores francês, Philippe Douste-Blazy, vários parentes dos homenageados farão discursos. Devem comparecer à inauguração os parentes de Pierre Billaud e de Johanne Sutton, mortos em uma emboscada no norte do Afeganistão em 2001; e de Patrick Bourrat, morto no Kuait.
Também discursarão os parentes de Deyda Hydara, assassinado a tiros na Gâmbia, e do franco-libanês Samir Kassir, que morreu em um atentado com carro-bomba em Beirute.