Depois de dois dias de troca de informações sobre Aids, o seminário com jornalistas de expressão portuguesa, em Lisboa, divulga sua manchete. Divididos em grupos, num exercício de entrevistas reais com os responsáveis pelo Programa Africano de Vacina contra a Aids, os jornalistas africanos e brasileiros, reunidos há dois dias, em Lisboa, num seminário promovido pela OMS-UNAIDS, obtiveram a manchete destinada a circular pelas agências de notícias - dentro de pouco mais de um ano, serão divulgados os resultados dos principais testes para uma vacina contra Aids, feitos atualmente, na Tailância, com 16 mil voluntários.
Saladin Osmanov, diretor do programa presente em Lisboa, acenou com a possibilidade de se obter, caso se confirmem os testes de eficácia, uma primeira vacina de efeito moderado. Enquanto isso, se aguardam os resultados imunológicos de outra candidata a vacina testada nos EUA, previstos para cinco anos. Nessa mesma época, estarão entrando em fase final de testes (terceira fase), vacinas testadas nos EUA e países europeus, com boa reação imunológica e cuja avaliação final será por volta de 2015.
Feitas as contas, existe a possibilidade de surgir uma primeira vacina contra Aids nos próximos dez a quinze anos. Mas enquanto a vacina não surge, devem-se somar todos os meios disponíveis no combate à Aids. E isso inclui não só assegurar o tratamento para os infectados, como desfazer superstições, destruir estigmas e preconceitos ainda enraigados em muitos países africanos de expressão portuguesa.
O encontro dos jornalistas de idioma português foi também o encontro de duas agências de notícias, implantadas na Internet, dirigidas por Roseli Tardeli, da Agencia Aids, em São Paulo, e a Agência Plusnews, em Joanesburgo. O objetivo agora é criar uma rede virtual de informações, partindo dos jornalistas participantes do Seminário, para se acelerar o processo de informação no mundo de língua portuguesa.
Depois dos depoimentos dos participantes, viu-se que as esperiências brasileira e portuguesa, em termos de prevenção e combate à Aids podem servir de referência aos países africanos. A troca de informações poderá ajudar na quebra de tabus, pois em Portugal, como explicou a portavoz da Coordenação contra Sida do Ministério da Saúde, Beatriz Casais, mesmo o uso de certas palavras estão sendo revistas.
Por sua vez, o cientista brasileiro, Luís Brígido, do Instituto Adolfo Lutz, tratou do conceito ético nos testes para obtenção de vacinas e na evolução ética desses testes, desde a vacina contra a varíola até os dos nossos dias.
Jornalistas lançam manchete sobre vacina contra Aids
Terça, 28 de Novembro de 2006 às 19:51, por: CdB