Um polêmico jornalista nicaragüense foi assassinado na última terça-feira a tiros do lado de fora da sede de um estúdio de televisão em Manágua, disseram diretores da emissora. Carlos Guadamuz, antigo militante da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) e crítico do ex-presidente Daniel Ortega, foi atacado por um homem que efetuou cinco disparos. Guadamuz entrava nos estúdios do Canal 23, onde dirigia o programa de opinião política 'Dardos al Centro'.
O atacante, identificado como William Hurtado, foi detido por seguranças do Canal 23 e entregue à polícia. Segundo a emissora, Hurtado portava uma pistola calibre 38. O diretor do Canal 23, Plinio Suárez, disse que Guadamuz tinha 'um programa bastante polêmico, mas dizendo sua verdade, sustentando seus comentários de frente, direto, sem se esconder'.
Guadamuz participou da luta anti-Somoza com a FSLN, de esquerda, desde a década de 1960, mas entrou em confronto com os líderes do partido quando foi demitido da direção da Radio Ya, no fim da década passada. Na década de 1980, quando a FSLN governava o país, Guadamuz foi diretor da estatal Voz de Nicarágua.
Durante a ditadura de Anastasio Somoza, derrubado em 1979 pela revolução sandinista, Guadamuz compartilhou uma cela por sete anos com Ortega, o máximo líder sandinista, de quem se tornaria crítico feroz. No ano passado, Guadamuz anunciou que postularia a candidatura à prefeitura de Manágua pelo Partido Liberal Constitucionalista, de direita, ao qual pertence o ex-presidente Arnoldo Alemán, que está preso.
Jornalista é assassinado na Nicarágua
Quarta, 11 de Fevereiro de 2004 às 01:52, por: CdB