Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Jornalista do Charlie Hebdo defende publicação de caricaturas de Maomé

Para Gérard Biard, a divulgação dos desenhos contribui para defender “a liberdade de religião”.

Domingo, 18 de Janeiro de 2015 às 12:51, por: CdB
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Para chefe de reportagens do Charlie Hebdo, as charges contribuem para a "liberdade religiosa"
O chefe de redação do jornal francês Charlie Hebdo, Gérard Biard, defendeu a publicação das caricaturas do profeta Maomé. Segundo Biard, a divulgação dos desenhos contribui para defender “a liberdade de religião”. - Sempre que fazemos um desenho de Maomé, de profetas ou de Deus, estamos defendendo a liberdade religiosa - disse Biard em entrevista à emissora de TV norte-americana NBC – a primeira concedida pelo chefe de redação a uma emissora dos Estados Unidos desde o ataque ao jornal, no último dia 7, no qual 12 pessoas foram mortas. - Dizemos que Deus não deve ser uma figura política ou pública, mas sim uma figura privada. Nós defendemos a liberdade de religião - afirmou Biard, ao defender que a religião não deve servir como argumento político. As declarações de Biard foram divulgadas logo após protestos contra o jornal francês se espalharem por vários países muçulmanos, como a Jordânia, o Níger, a Mauritânia, o Senegal, a Turquia, o Irã e Paquistão. Seguidores do Islã acusam os profissionais do Charlie Hebdo de blasfemar contra sua religião e ridicularizar o profeta Maomé. O primeiro número do jornal publicado após o ataque terrorista do último dia 7 tem na capa uma caricatura de Maomé, com lágrima no olho, segurando uma folha com a frase "Eu sou Charlie" sob o título “Tudo Está Perdoado". Líderes muçulmanos e importantes lideranças políticas e de outras religiões fizeram ressalvas à publicação em meio ao clima de tensão, destacando a importância de bom senso. Na quinta-feira, o papa Francisco afirmou que a liberdade de expressão é um direito fundamental, mas não dá o direito a "insultos à fé dos outros". Classificando o ato de "matar em nome de Deus" de "uma aberração", Francisco disse que a liberdade de expressão deve ser exercida sem ofender outras pessoas ou grupos. Pesquisa divulgada pelo Le Journal du Dimanche aponta que quatro em cada dez franceses (42%) são favoráveis a que sejam evitadas publicações com caricaturas de Maomé. Segundo os dados, 57% dos entrevistados disseram considerar que as reações extremistas não devem ser levadas em conta e que as caricaturas devem continuar sendo publicadas. A sondagem, feita por telefone com 1.003 pessoas, constatou que ao menos metade dos entrevistados é favorável a limites na liberdade de expressão na internet. Os dois irmãos franceses que atacaram a redação do Charlie Hebdo e assassinaram jornalistas, policiais e outros funcionários do jornal, Chérif e Said Kouachi, foram enterrados sexta-feira e no sábado. Cherif foi sepultado pouco antes da meia-noite de sábado num cemitério em Gennevilliers, nos arredores de Paris, onde vivia. Nenhum parente compareceu ao funeral. A cerimônia fúnebre foi cercada de medidas de segurança. A sepultura não está identificada. Já Said foi enterrado na sexta-feira em Reims, no Centro da França, também em túmulo não identificado.
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