Rio de Janeiro, 01 de Abril de 2026

Jornalista da Rede Globo é libertado em SP

O jornalista da Rede Globo de Televisão Guilherme de Azevedo Portanova, seqüestrado na manhã de sábado em São Paulo, foi libertado na madrugada desta segunda-feira, informou a emissora em um breve comunicado. O repórter prestará depoimento à Polícia Civil nos próximos dias, para colaborar com a investigação. (Leia Mais)

Segunda, 14 de Agosto de 2006 às 07:42, por: CdB

O jornalista da Rede Globo de Televisão Guilherme de Azevedo Portanova, seqüestrado na manhã de sábado em São Paulo, foi libertado na madrugada desta segunda-feira, informou a emissora em um breve comunicado.  O repórter prestará depoimento à Polícia Civil nos próximos dias, para colaborar com a investigação

- Eu não fui agredido e fui alimentado o tempo todo - disse Portanova poucos minutos após sua libertação.

- Ali, naquele momento, eles sentiram talvez que estivessem concluído o serviço deles e resolveram me soltar - disse.

Portanova, de 30 anos, foi seqüestrado por desconhecidos nas proximidades dos estúdios da Globo em São Paulo, junto com o auxiliar técnico Alexandre Coelho, libertado na madrugada do domingo.

Para que o jornalista pudesse ser libertado, os seqüestradores exigiram que a Globo exibisse um vídeo que foi entregue ao auxiliar que também foi seqüestrado.

A Globo cedeu às ameaças e retransmitiu horas depois a mensagem, de três minutos e 36 segundos, no qual um homem encapuzado detalha as condições em que vivem os presos e exige uma revisão das penas, além de melhorias no sistema penitenciário.

Segundo fontes policiais, Portanova foi abandonado por volta das 00h30 de segunda-feira em uma paragem do bairro Morumbi, no oeste de São Paulo, de onde seguiu para a sede da emissora, que fica na zona sul da capital.

As autoridades ainda não têm pistas sobre a identidade ou o paradeiro dos seqüestradores, que pelos primeiros indícios poderiam ser membros de uma facção criminosa que atua nos presídios de São Paulo.

A facção, que controla o crime organizado desde as prisões de São Paulo, desafiou as autoridades por três vezes nos últimos meses, com sangrentos ataques contra forças de segurança, bancos, comércios e ônibus de serviço público.

O primeiro deles, ocorrido em meados de maio, deixou 133 mortos, em sua maioria policiais, agentes carcerários e delinqüentes. Este primeiro ataque foi uma represália da facção contra a mudança de seus líderes para prisões de segurança máxima.

Em julho, a organização criminosa voltou a atacar em vários municípios de São Paulo, com um saldo de oito mortes, e na semana passada seis supostos delinqüentes foram mortos pela Polícia na reação a uma nova ofensiva.

Neste domingo, foram incendiados quatro ônibus em São Paulo, mas a Polícia não estabeleceu se os autores pertencem à facção criminosa que, segundo as autoridades, tinha um plano para lançar novos ataques durante este fim de semana.

Há algumas semanas, a Polícia descobriu um plano do grupo para seqüestrar políticos em São Paulo, e o seqüestro ocorrido no sábado deixa em evidência que a imprensa agora é um dos alvos dos criminosos, segundo especialistas em política e luta criminal.

- Isto assusta. É uma tentativa de intimidar a imprensa e de impedir a divulgação de atos criminosos em um ano eleitoral, no qual muitos interesses estão em jogo -  disse a analista Lúcia Hipólito, em entrevista à rádio CBN.

O delegado de Polícia José Vicente da Silva criticou a Globo por "ter cedido à pressão dos bandidos", e assegurou que "quando há seqüestro existe risco, mas há espaço para a negociação".

O policial qualificou o seqüestro como um novo passo "no conjunto de ações terroristas" desta facção criminosa.

O diretor de jornalismo da TV Globo São Paulo, Luiz Cláudio Latge, disse que a decisão de atender à reivindicação dos criminosos foi da emissora, sem participação do Governo estadual ou da Polícia.

Em nota entregue à imprensa, a Globo afirmou que foi orientada por órgãos internacionais a divulgar a mensagem.

- Não havia alternativa - diz a nota, ao resumir o resultado das consultas e afirmar que o breve prazo dado pelos seqüestradores tornava impossível uma consulta às autoridades locais e colocava a vida de Portanova em perigo.

A Polícia de São Paulo informou que na última semana o

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