O jornalista da Rede Globo de Televisão Guilherme de Azevedo Portanova, seqüestrado na manhã de sábado em São Paulo, foi libertado na madrugada desta segunda-feira, informou a emissora em um breve comunicado. O repórter prestará depoimento à Polícia Civil nos próximos dias, para colaborar com a investigação
- Eu não fui agredido e fui alimentado o tempo todo - disse Portanova poucos minutos após sua libertação.
- Ali, naquele momento, eles sentiram talvez que estivessem concluído o serviço deles e resolveram me soltar - disse.
Portanova, de 30 anos, foi seqüestrado por desconhecidos nas proximidades dos estúdios da Globo em São Paulo, junto com o auxiliar técnico Alexandre Coelho, libertado na madrugada do domingo.
Para que o jornalista pudesse ser libertado, os seqüestradores exigiram que a Globo exibisse um vídeo que foi entregue ao auxiliar que também foi seqüestrado.
A Globo cedeu às ameaças e retransmitiu horas depois a mensagem, de três minutos e 36 segundos, no qual um homem encapuzado detalha as condições em que vivem os presos e exige uma revisão das penas, além de melhorias no sistema penitenciário.
Segundo fontes policiais, Portanova foi abandonado por volta das 00h30 de segunda-feira em uma paragem do bairro Morumbi, no oeste de São Paulo, de onde seguiu para a sede da emissora, que fica na zona sul da capital.
As autoridades ainda não têm pistas sobre a identidade ou o paradeiro dos seqüestradores, que pelos primeiros indícios poderiam ser membros de uma facção criminosa que atua nos presídios de São Paulo.
A facção, que controla o crime organizado desde as prisões de São Paulo, desafiou as autoridades por três vezes nos últimos meses, com sangrentos ataques contra forças de segurança, bancos, comércios e ônibus de serviço público.
O primeiro deles, ocorrido em meados de maio, deixou 133 mortos, em sua maioria policiais, agentes carcerários e delinqüentes. Este primeiro ataque foi uma represália da facção contra a mudança de seus líderes para prisões de segurança máxima.
Em julho, a organização criminosa voltou a atacar em vários municípios de São Paulo, com um saldo de oito mortes, e na semana passada seis supostos delinqüentes foram mortos pela Polícia na reação a uma nova ofensiva.
Neste domingo, foram incendiados quatro ônibus em São Paulo, mas a Polícia não estabeleceu se os autores pertencem à facção criminosa que, segundo as autoridades, tinha um plano para lançar novos ataques durante este fim de semana.
Há algumas semanas, a Polícia descobriu um plano do grupo para seqüestrar políticos em São Paulo, e o seqüestro ocorrido no sábado deixa em evidência que a imprensa agora é um dos alvos dos criminosos, segundo especialistas em política e luta criminal.
- Isto assusta. É uma tentativa de intimidar a imprensa e de impedir a divulgação de atos criminosos em um ano eleitoral, no qual muitos interesses estão em jogo - disse a analista Lúcia Hipólito, em entrevista à rádio CBN.
O delegado de Polícia José Vicente da Silva criticou a Globo por "ter cedido à pressão dos bandidos", e assegurou que "quando há seqüestro existe risco, mas há espaço para a negociação".
O policial qualificou o seqüestro como um novo passo "no conjunto de ações terroristas" desta facção criminosa.
O diretor de jornalismo da TV Globo São Paulo, Luiz Cláudio Latge, disse que a decisão de atender à reivindicação dos criminosos foi da emissora, sem participação do Governo estadual ou da Polícia.
Em nota entregue à imprensa, a Globo afirmou que foi orientada por órgãos internacionais a divulgar a mensagem.
- Não havia alternativa - diz a nota, ao resumir o resultado das consultas e afirmar que o breve prazo dado pelos seqüestradores tornava impossível uma consulta às autoridades locais e colocava a vida de Portanova em perigo.
A Polícia de São Paulo informou que na última semana o