Rio de Janeiro, 03 de Fevereiro de 2026

Jornalista da <i>BBC</i> é libertado na Faixa de Gaza

Depois de quase quatro meses em cativeiro, o jornalista Alan Johnston, correspondente da BBC na Faixa de Gaza, foi libertado nesta quarta-feira (noite de terça-feira pelo horário de Brasília). Imagens de TV mostraram Johnston, 45 anos, deixando um prédio e entrando em um carro branco, acompanhado por homens armados. (Leia Mais)

Quarta, 04 de Julho de 2007 às 08:01, por: CdB

Depois de quase quatro meses em cativeiro, o jornalista Alan Johnston, correspondente da BBC na Faixa de Gaza, foi libertado nesta quarta-feira (noite de terça-feira pelo horário de Brasília).

Imagens de TV mostraram Johnston, 45 anos, deixando um prédio e entrando em um carro branco, acompanhado por homens armados.

Ele disse que era "fantástico" estar livre depois de uma experiência que classificou de apavorante. Afirmou também que estava cansado, mas com boa saúde.

O repórter foi entregue pelos seqüestradores do grupo autodenominado Exército do Islã a integrantes do grupo militante islâmico Hamas.

Depois de expulsar a facção rival, Fatah, e assumir o controle total da Faixa de Gaza, no mês passado, o Hamas já havia anunciado que iria trabalhar pela libertação de Johnston, inclusive alertando os seqüestradores de que poderia usar a força para libertá-lo.

Cativeiro

Em uma coletiva de imprensa ao lado do líder do Hamas, Ismail Haniya, Johnston agradeceu a todos que trabalharam por sua libertação.

- As últimas 16 semanas foram as piores da minha vida. Eu estava nas mãos de pessoas perigosas e imprevisíveis - disse Johnston. -Eu literalmente sonhei muitas vezes em estar livre e sempre acordei de volta naquele quarto.

Johnston disse que não foi torturado durante o tempo em que esteve no cativeiro, mas ficou doente por causa da comida.

O jornalista disse que a tomada de poder do Hamas em Gaza e a conseqüente tentativa de melhorar a segurança no território facilitaram a sua libertação.

- Os seqüestradores pareciam muito confortáveis e seguros até ... algumas semanas atrás, quando o Hamas tomou o controle das operações de segurança aqui - afirmou.

Johnston disse ainda que esteve em dois cativeiros diferentes durante o tempo em que permaneceu seqüestrado.

Haniya afirmou que estava muito feliz com a libertação de Johnston e que o jornalista era um amigo do povo palestino.

O ex-premiê palestino também disse esperar que um acordo possa permitir a libertação do soldado israelense Gilad Shalit, seqüestrado em Gaza em junho do ano passado.

Exército do Islã

O jornalista havia sido capturado por homens armados no dia 12 de março, quando deixava o trabalho e voltava para casa, na Cidade de Gaza.

Ele vivia e trabalhava na Faixa de Gaza nos últimos três anos e era o único repórter ocidental permanentemente baseado no território.

O Exército do Islã, um grupo militante pouco conhecido, assumiu a autoria do seqüestro e divulgou vídeos exigindo a libertação de muçulmanos detidos na Grã-Bretanha.

O grupo afirmava que iria matar o refém caso suas exigências não fossem atendidas.

Durante o tempo em que Johnston permaneceu seqüestrado, foram divulgados dois vídeos com imagens dele.

Também foram realizadas manifestações em todo o mundo pedindo a sua libertação, além de uma petição assinada por cerca de 200 mil pessoas.

Hamas x Fatah

Segundo um membro do alto escalão do Hamas, Mahmoud Zahar, não foi feito nenhum acordo com os seqüestradores para a libertação de Johnston.

Zahar disse ainda que o Hamas não trabalhou pela libertação do jornalista com o objetivo de receber favores do governo britânico.

- Nós fizemos isso por preocupação humanitária e para atingir um objetivo de governo de aumentar a segurança para todos - afirmou.

O líder do Hamas, Khaled Meshaal, que vive exilado na Síria, disse à agência de notícias Reuters que a libertação de Johnston "mostrou a diferença entre uma época em que um grupo (o rival Fatah) costumava encorajar e praticar a anarquia na segurança... e a situação atual, na qual o Hamas está buscando estabilizar a segurança".

Rádio

Na coletiva de imprensa após sua libertação, Johnston disse que, depois de trabalhar e viver por três anos na Faixa de Gaza

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