Um jornalista norte-americano foi encontrado morto baleado em Basra, quatro dias depois de escrever uma artigo de opinião no jornal The New York Times criticando a disseminação do fundamentalismo islâmico xiita na cidade no sul do Iraque.
Testemunhas disseram que Steven Vincent e uma tradutora foram sequestrados por homens armados pouco depois de deixar um hotel na noite de terça-feira. Seu corpo foi encontrado mais tarde, disse um diplomata dos Estados Unidos. Uma enfermeira afirmou que ele foi baleado no peito.
A morte de Vincent parece ser o primeiro assassinato seletivo de um jornalista ocidental no Iraque desde que a invasão liderada pelos EUA derrubou Saddam Hussein, em 2003.
Outros repórteres morreram vítimas da violência que atinge o país, mas aparentemente foram mortos por serem ocidentais, e não por serem jornalistas.
- Foi lançada uma investigação para determinar quem foi responsável por isso - disse o diplomata norte-americano.
Uma enfermeira de um hospital de Basra disse que Vincent, jornalista investigativo independente e crítico de arte de Nova York, estava trabalhando em Basra há muitas semanas, e recebeu três tiros no peito.
Sua tradutora iraquiana, Nouriya Ita'is, levou quatro tiros, mas sobreviveu. A enfermeira disse que ela está em estado grave.
O artigo no New York Times criticou o fracasso das forças de Basra em conter o que Vincent descreveu como uma cidade "cada vez mais sob controle de grupos religiosos xiitas; do governo relativamente oficial...aos seguidores belicosos do clérigo rebelde Moqtada al-Sadr".
O artigo também tratou da polícia de Basra. Segundo o texto, um tenente disse que novos oficiais estavam assassinando centenas de ex-membros do partido de Saddam, o Baath, a cada mês.
Líderes árabes sunitas do Iraque acusaram o governo iraquiano de controlar esquadrões xiitas que trabalham ao lado das forças de segurança. O governo liderado por religiosos xiitas nega as acusações.
Vincent já havia escrito um livro sobre o Iraque pós-guerra e estava fazendo pesquisa para um outro, sobre a história de Basra, base de cerca de 8.000 tropas britânicas.
Ele publicou artigos no Wall Street Journal, na revista Harper's e no Christian Science Monitor. Ele também mantinha um blog sobre suas experiências no Iraque.
Um jornalista iraquiano que trabalhou com Vincent disse que o norte-americano conversou com muitas pessoas em Basra durante sua pesquisa, inclusive autoridades iraquianas e residentes cristãos.