Rio de Janeiro, 31 de Agosto de 2026

JORNALISMO, POLÍTICA, CRIME, ÉTICA E SEXO

Segunda, 16 de Maio de 2011 às 07:55, por: CdB

Por fábio de oliveira ribeiro 16/05/2011 às 13:29

Salada francesa completa.

A notícia da semana é quente  http://economia.ig.com.br/mae+de+jornalista+diz+que+diretor+do+fmi+tentou+estuprar+sua+filha+em+2002/n1596954716515.html e cheia de nuances.

Após Dominique Strauss-Kahn cair em desgraça a jovem e bela jornalista Tristane Banon disse a imprensa que ele tentou estuprá-la. iformou que na época sua mãe, uma vereadora socialista, convenceu-a a não denunciar o fato.

A função dos jornalistas é noticiar fatos relevantes. O que pode ser mais relevante que um crime cometido por um político proeminente? Apesar de sua profissão Tristane Banon não noticiou o crime. Se tivesse denunciado a tentativa de estupro quando ocorreu certamente Dominique Strauss-Kahn teria caído em desgraça antes de cometer o novo crime pelo qual foi algemado e enjaulado.

A jornalista parece inclinada a denunciar DSK somente agora. Sua conduta, do ponto de vista jurídico, não chega a ser anti-jurídica. A vítima deste tipo de crime pode denunciar o fato a qualquer tempo, desde que o faça dentro do prazo prescricional. Além disto, a vítima pode ser punida em razão de não ter feito isto no momento em que o crime ocorreu. Mas o mesmo não se pode dizer de quem a convenceu a silenciar. Acobertar um crime para tirar algum tipo de proveito próprio também é considerado crime em alguns paises. Portanto, ao denunciar Tristane Banon pode acabar colocando a mãe na mira das autoridades judiciárias.

Em razão de um instinto primordial, pré-racional e animal toda mãe defende sua prole. Mas a mãe de Tristane Banon parece ter colocado seus interesses pessoais e político-partidários acima de qualquer outra coisa. E foi assim que a vereadora Anne Mansouret, obrigada a preservar os interesses dos seus eleitores (e que, em tese também tem um compromisso com a humanidade e com os valores humanísticos em razão de ser socialista), colaborou para que uma outra mãe visse a filha vitimada pelo Casa Nova francês. Mesmo que não tenha cometido um crime sua conduta foi extremamente anti-ética. Seu futuro político certamente será prejudicado por causa de uma escolha aparentemente fácil e vantajosa à época em que DSK atacou Tristane Banon.

Esta é uma história exemplar. Um modelo perfeito do que não se deve fazer em casos semelhantes.

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