Por fábio de oliveira ribeiro 17/06/2011 às 13:47
As jornalistas não querem ser tratadas como putas. Mas algumas delas merecem este tratamento.
Noticia curiosa esta
http://gente.ig.com.br/chris+evans+dorme+com+reporter+americana+apos+entrevista+a+gq/n1597034047038.html
O foco da matéria foi o comportamento do ator, não o da jornalista. Movido por algum tipo de corporativismo jornalístico o autor do texto não fez duas perguntas essenciais: Quem estava trabalhando? O ator ou a jornalista?
O ator foi a uma entrevista. Portanto, mesmo que tenha utilizado todos seus recursos artísticos para dar a melhor impressão possível, o fato é que ele submeteu-se a um encontro que tinha uma finalidade definida em que o papel da entrevistadora era predominante profissional. A jornalista que colheria a entrevista estava trabalhando, dela se pode exigir ética profissional durante o encontro. Sendo assim, porque o IG deu enfase ao comportamento no ator e não no da jornalista?
As coisas desandaram e a jornalista desfrutou o entrevistado. Ops...falha nossa, deveria ter raciocinado a profissional. Mas não, ela considerou jornalística a matéria afetiva.
Quem seduziu quem não se sabe. Se foi o ator que seduziu a jornalista ela errou ao marcar uma entrevista no local errado, na hora errada e não interrompê-la no momento certo. Se o ator foi seduzido tanto pior, pois o que se espera de uma profissional do jornalismo não é o mesmo que se espera de uma profissional do prazer (sem querer ofender as mulheres de vida fácil, é claro).
Uma teoria na cabeça e a disposição de consumá-la na prática. Esta foi a regra de Thor Heyerdahl quando resolveu realizar a expedição Kon Tiki para, cruzando o Oceano Pacífico numa balsa, provar sua tese de que havia ligação entre as culturas polinésia e peruana http://pt.wikipedia.org/wiki/Thor_Heyerdahl . A expedição foi documentada e resultou num dos melhores livros que já li.
A EXPEDIÇÃO KON-TIKI parece ter servido de roteiro para esta aventureira jornalística. Fiquei com a impressão que a tal jornalista também tinha uma teoria (não necessariamente na cabeça) e disposição para consumá-la. Registrou o ocorrido e transformou tudo em texto. Mas há uma diferença entre ela e Thor Heyerdahl. Enquanto o norueguês precisou superar o medo e correr riscos para realizar algo que julgava possível e que não prejudicaria ninguém além dele mesmo e de seus companheiros de aventura, ela realizou algo que não se esperava dela e de uma forma claramente anti-ética. Os dois entraram para história, mas a jornalista não fará isto da maneira que gostaria.
Fábio de Oliveira Ribeiro
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