Um jornal da Arábia Saudita deixou de ser publicado depois de ter divulgado algumas das charges do profeta Maomé que vêm provocando polêmica no mundo muçulmano. A publicação do Shams foi suspensa como parte de uma investigação sobre a decisão do jornal de reproduzir os desenhos, três semanas atrás.
As charges foram publicadas ao lado de artigos que faziam um apelo para que os sauditas adotassem medidas contra a Dinamarca, onde as charges apareceram pela primeira vez. O Shams foi um dos poucos jornais do mundo árabe que publicaram algumas das charges. A publicação, voltada à população jovem, disse que a decisão foi tomada para mobilizar uma campanha contra a Dinamarca.
Mas, independentemente do motivo, a publicação parece ter desagradado as autoridades sauditas. Diretores do Shams contactados pela BBC não quiseram confirmar a informação de que a impressão do jornal havia sido suspensa, mas o jornal não foi publicado na segunda-feira.
Shams é um jornal novo. Começou a ser publicado há apenas dois meses em formato tablóide voltado à população saudita jovem. O jornal representou uma novidade na imprensa do país, abordando determinados assuntos sob um novo ângulo, como o papel da mulher na sociedade saudita.
Notícias de entretenimento, cultura e esporte eram escritas para atender às necessidades dos jovens. Fontes na Arábia Saudita disseram à BBC que algumas das reportagens provocaram polêmica ao apresentarem um ponto de vista diferente do defendido pela elite conservadora que governa o país.