Rio de Janeiro, 03 de Fevereiro de 2026

Jornal: eleição das 7 maravilhas é farsa global

Segunda, 09 de Julho de 2007 às 08:31, por: CdB

Um editorial publicado nesta segunda-feira pelo jornal espanhol El Mundo afirma que a eleição das sete novas maravilhas mundiais, entre as quais figura da estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro foi eleita, não passou dei uma "farsa em escala global".

O jornal afirma que os espanhóis ficaram "profundamente decepcionados" ao saber que o candidato do país, o monumental palácio muçulmano da Alhambra, na Andaluzia, não receberá o status.

— A explicação é bem simples: a eleição se deu por votos através da Internet e de telefones celulares. O Brasil tem 188 milhões de habitantes, por isso existia um potencial de votantes muito maior que a Espanha ou a Grécia (que concorria com a Acrópole) — avalia o jornal.

Apesar de considerar alto o número de votos na eleição - 100 milhões, segundo os organizadores - o El Mundo disse que o processo foi "um grande negócio" marcado por "simpatias nacionais".

— O que o organizador Bernard Weber fez não foi divulgar estas grandes maravilhas artísticas do mundo, e sim tirar proveito delas do ponto de vista econômico. O que é incrível é que prefeituras e instituições públicas em todo o mundo tenham se prestado a participar desta farsa global — afirmou o diário.

— Após o sucesso comercial deste concurso, é certo que dentro de muito pouco tempo serão organizados outros para eleger as sete belezas naturais do mundo ou os 11 melhores jogadores de futebol da história — diz o texto.

— O negócio está assegurado, porque o público está ávido por este tipo de espetáculos, baseados nas possibilidades de participação oferecidas pela Internet e as novas tecnologias. Tudo, entretanto, é apenas espelho criado por um gênio de marketing que deve estar rindo do mundo a estas horas — conclui o jornal.

França e Alemanha

A crítica ao concurso - e a contestação à eleição do Cristo Redentor - ecoou em outros jornais da imprensa européia. Do país que concorria com a Torre Eiffel, o francês Le Figaro lançou a crítica ao número oficial de votantes.

— A organizadora new7wonders reivindica 100 milhões de votos. Cem milhões de votantes? Certamente não: o 'direito' estava limitado a um voto por endereço eletrônico, nada impedia de utilizar vários endereços por pessoa e multiplicar da mesma forma os votos por mensagens de celular para 'rechear as urnas' virtuais — criticou o jornal.

— Ninguém achava que a Grande Muralha ficaria ausente. Em comparação, as autoridades do Camboja (13 milhões de habitantes) antecipavam a ausência entre os finalistas do principal sítio arqueológico do país, o templo de Angkor —.

Por sua vez, o alemão Berliner Zeitung diz que a ausência do castelo Neuschwanstein entre os sete escolhidos mostra que 'o gosto mundial poderia ser mais refinado'.

— A nova lista se firmará? Dificilmente. A África e a América do Norte estão ausentes. Também porque a América Latina votou por si e contra os 'gringos', a Estátua da Liberdade de Nova York não teve chance — criticou o diário.

— A pré-seleção dos monumentos foi surreal, com campanhas histéricas sendo lançadas na Jordânia, no Brasil e mesmo na Bavária. Além disso, a lista não foi menos eurocêntrica que a antiga, ao contrário do que diz o organizador, o cineasta suíço Bernard Weber: com exceção da Grande Muralha da China e do Taj Mahal, o significado de todas as maravilhas do novo mundo foi originalmente definida por arqueólogos e historiadores da arte ocidentais — concluiu.

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