Uma grande polêmica tomou conta do Chile devido à iniciativa do jornal 'La Nación', que em sua edição, no último domingo, distribuiu de forma gratuita a seus leitores um preservativo junto a um folheto informativo sobre a prevenção da Aids, elaborado pelo Ministério da Saúde.
- O fato é uma verdadeira brincadeira e uma forma de acreditar que a única forma de prevenir a Aids é através do uso do preservativo - afirmou Patricio Melero, secretário do opositor partido ultraconservador União Democrata Independiente (UDI).
No informativo, o Ministério da Saúde explica como usar o preservativo e sua importância na prevenção e combate à Aids.
- Realmente não sei como o governo pode promover uma iniciativa deste tipo, pois induz as pessoas a crer que só há uma forma de evitar o contágio da doença: o preservativo - acrescentou Melero, quem pediu a renúncia do ministro da Saúde, Pedro García.
A distribuição do preservativo ocorre a seis meses do início da campanha feita pelo governo chileno para prevenir a Aids, que se viu envolvida numa polêmica pela oposição da Igreja Católica e grupos conservadores.
- Seguimos com a mesma política de impor um critério que não ajuda em nada - acrescentou o político, que lembrou que em dezembro passado três dos seis canais de televisão do Chile se negaram a transmitir anúncios governamentais a favor do uso do preservativo como meio de prevenção por razões 'éticas e morais'.
Em tanto, o ministro porta-voz de Governo, Francisco Vidal, disse que a iniciativa lhe pareceu boa e foi 'uma expressão de diversidade', mas advertiu:
- Vou telefonar para o diretor (do diário), para saber sob que circunstâncias se tomou essa decisão.
A entrega do preservativo acontece poucos dias depois que a Igreja manifestasse sua rejeição à pílula do dia seguinte, que começará a ser entregue a mulheres estupradas em hospitais públicos chilenos dentro de uma semana, segundo estabeleceu o Ministério da Saúde.
No Chile, segundo números oficiais, o número de portadores do vírus da Aids aumentou 11 por cento em 2002, com o qual os casos notificados oficialmente chegaram esse ano a 12.000.
Segundo dados preliminares, o ritmo de expansão da doença se manteve, e as autoridades da Comissão Nacional contra a Aids (Conasida, em espanhol) calculam hoje em 30 mil o número real de infectados.
O acesso dos portadores aos novos tratamentos através de instituições governamentais permitiu reduzir em 25% a quantidade de doentes declarados, assim como a mortalidade por causa da Aids.
Jornal chileno distribui camisinhas e promove polêmica
Segunda, 10 de Maio de 2004 às 00:09, por: CdB