No dia seguinte ao da vitória do Brasil sobre Gana por 3 a 0 pelas oitavas-de-final da Copa 2006, os jornais pelo mundo criticam o futebol do País como sendo burocrático, irregular, que não emociona e até - como analogia - "italiano"; porém, de "pegada", vencedor, eficiente, invencível.
Além do espaço dado à decepção da seleção do país ao perder de virada para a França por 3 a 1 nesta terça-feira - depois de fazer uma brilhante primeira fase com 100% de aproveitamento -, os jornais da Espanha chegaram a um consenso sobre o futebol do time de Parreira: "de pegada". A classificação foi um elogio à atuação da equipe no aspecto da marcação: a Seleção só tomou um gol neste Mundial, dos japoneses.
O diário As diz que o time de Ronaldinho jogou um futebol à "italiana" - como sendo burocrático e sem a criatividade inerente ao futebol nacional - "vêem muita diferença desta para a seleção de Lippi (técnico da Itália)? Francamente, há poucas", propõe o veículo, que adiciona: "isto vai contra o Joga Bonito. O que o Brasil tem é pegada, o que lhe permite vencer, mas não emociona", conclui.
O compatriota Marca também abre com a "pegada do Brasil nocauteia Gana". E ressalta que a que foi vista na exibição contra os africanos não foi a melhor versão do time brasileiro, mas foi o necessário para vencer a falta de "punch" de Gana.
Nossos vizinhos, os argentinos, demonstram mais temor pela Seleção e reverenciam, novamente, Ronaldo, assim como fizeram quando o Brasil venceu o Japão por 4 a 1, com dois gols do camisa 9, que estampou a capa do jornal Olé.
Ronaldo se tornou ontem o maior artilheiro de mundiais, com 15 gols, um a mais que o alemão Gerd Miller, e foi destacado como um "intocável" de Parreira, mas eficiente e goleador. Para a Seleção, a frase usada foi de "Como não considerá-los invencíveis?". Além disso, o veículo fez questão em lembrar outro recorde que o time brasileiro alcançou na vitória contra os africanos: o de 11 vitórias seguidas em copas, sendo sete no comando de Luiz Felipe Scolari na edição anterior.
O também argentino Clarín diz que Ronaldo equilibra a balança de seus quilos a mais com seus gols, peso este é suportado por "luminosos botines amarillos", em referência ao par de chuteiras do atleta do Real Madrid.
Do outro lado do Oceano Atlântico, a imprensa de Portugal é mais comedida. O jornal A Bola diz que, sem surpresa, o Brasil passou por Gana, que tentou jogar bonito, mas se mostrou ingênuo.
E O Jogo diz que o resultado favorável ao Brasil é produto da eficácia, mas os campeões do mundo passaram um "mau bocado". O jornal aproveitou para alfinetar Ronaldo e escreveu: "Gordo Recordista".
Também pela Europa, os jornais ingleses reclamaram da falta de uma exibição plasticamente bela da Seleção Brasileira. O Guardian diz que o resultado não foi espelho do que foi a partida, e que a performance dos comandados de Parreira está muito abaixo do esperado.
O também inglês The Sun questiona se os jogadores brasileiros estão jogando somente para eles ou ainda estão pegando forma física. E que este Brasil contrasta com o de antes do início da Copa: confiante.