Ana Maria Tepedino, teólogafeminista do Brasil, afirmou que na atual orden social, a luta mais difícil de ganharé contra o machismo, pois "persiste uma sociedade patriarcal mundial que sefundamenta nas escrituras bíblicas que foram mal interpretadas por santospadres dualistas e misógenos.
Segundo Tepedino, estesintérpretes "entenderam a criação da mulher como uma sobordinação ao gêneromasculino”.
"A pior das lutas é contra opatriarcalismo porque está integrado em todas as estruturas da sociedade, econômicas,políticas, culturais e religiosas. Tudo está carregado de patriarcalismo. Épreciso reconstruir tudo isso”, comentou.
A visão da mulher no mundoeclesiático tem sido menosprezada e é uma das vertentes debatidas durante asJornadas Teológicas do Cone Sul e Brasil, que acontece na Universidade CatólicaSilva Henríquez, en Santiago do Chile, desde a terça-feira pasada, e que sededicou ao tema de gênero em uma de suas mesas de trabalho.
A especialista sustenta que asolução ao machismo arraigado no inconsciente coletivo é a educação das novasgerações.
"A humanidade necesita dasvisões de todas as pessoas, uma Igreja onde caibam todos e todas, uma Igrejaque siga a mensagem de Jesus”, sublinhou.
Tepedino expôs estasconsiderações e analisou a atual crise que afeta a Igreja Católica quequalificou como "uma situação calamitosa”.
"Temos que eliminar esta imagenque se criou da instituição para reconstruir a Igreja de Jesus, uma Igreja defraternidade, generosidade e solidariedade. Dessa maneira, podemos, juntos comooutros sujeitos eclesiais, outras pessoas e comunidades, establecer laços parauma igreja distinta, uma igreja com outras cores”, concluiu.
PorOrlando Milesi, jornalista