Rio de Janeiro, 23 de Maio de 2026

Jorge Drexler traz poesia a show intimista em SP

Sexta, 03 de Junho de 2005 às 15:21, por: CdB

 Um cantinho, um violão e toda a poesia das letras do cantor e compositor Jorge Drexler viraram som na noite de quinta-feira em São Paulo, em seu primeiro espetáculo na cidade após ter sido premiado com o Oscar de melhor canção pelo filme "Diários de Motocicleta", de Walter Salles.

O palco da casa de shows Tom Brasil ganhou um ar intimista à la João Gilberto durante a apresentação do uruguaio radicado há uma década na Espanha - e fã declarado do Brasil. Ele veio lançar o DVD de "Eco", seu CD mais recente, de 2004.

Aventurando-se com o português e convidando a platéia para acompanhá-lo em vários momentos, Drexler chamou o cantor e compositor carioca Paulinho Moska para uma participação especial.

A dupla mantém uma parceria criativa desde que o brasileiro o procurou para gravar a música "La Edad del Cielo", de Drexler. E foi esse sucesso que ambos compartilharam no palco, meio em espanhol, meio em português.

Sentado num banquinho, elegantemente vestido com terno preto, camisa e tênis de couro claros, Drexler dedilhou canções do DVD "Eco 2", que traz agora a filmagem das 12 faixas do disco num show ao vivo no teatro Solís, em Montevidéu, e um making of da gravação.

"Eco" é o sétimo disco de Drexler, um compositor de letras delicadas, que falam sobre a vida cotidiana, amor e família, além de uma religiosidade cósmica e diferentes crenças. "Soy un moro judío que vive entre los cristianos", diz a canção "Milonga del Moro Judio" ("sou um mouro judeu que vive entre os cristãos").

Drexler destila poesia também sobre os lugares de onde ele vem, o Uruguai, e de onde ele está, a Espanha. É a situação do imigrante que sintetiza, por exemplo, a música "Frontera" ("Yo no sé de donde soy, mi casa está en la frontera, y las fronteras se mueven como las banderas"). Ou da premiada "Del Otro Lado del Río", que versa sobre a água dividindo dois territórios e a necessidade de cruzá-la.
 
- Recebi um prêmio do lado oeste da Califórnia e fiquei muito orgulhoso de representar 'Diários de Motocicleta"', disse ele sobre a música, durante o show, acrescentando que depois ficou bravo ao saber que não poderia cantá-la na cerimônia do Oscar. "Fiquei p+, mas no final cantei 22 segundos - disse.

A companhia do guitarrista espanhol Vicente Miñana no palco, que disparava efeitos tanto na guitarra quanto no computador, ajudou a preencher o espaço e modernizar a sonoridade das canções.

"Eco", "Mi guitarra y Vos", "Polvo de Estrellas", "Tamborero", "Fusión" e outras fizeram um público fiel, com forte presença latina e feminina, cantar e aplaudir animadamente a apresentação.

Drexler, ganhador de um Grammy Latino, fechou a noite com um toque brasileiro, ao adicionar "A Rita", de Chico Buarque, durante o bis. Contou, mais uma vez, com a colaboração do platéia, que o ajudou a completar a letra.

E outra Rita brasileira anda interessada nas canções do uruguaio. A cantora Maria Rita revelou que está interessada em músicas do compositor para seu segundo CD, informa a gravadora Warner.

A turnê de Drexler pelo Brasil, que começou pelo Rio de Janeiro e São Paulo, inclui ainda shows em Belo Horizonte nesta sexta-feira e Porto Alegre no sábado.

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