O tio do comerciante chinês Chan Kim Chang disse, em depoimento na Polícia Federal nesta quarta-feira, que o cordão e a aliança de ouro que ele usava quando foi preso, no dia 25 de agosto, desapareceram.
Ele recebeu na última terça-feira a mala que Chang levava quando foi detido no aeroporto internacional Tom Jobim, mas não as jóias. O tio, cuja identidade está sendo preservada, disse ao delegado da Polícia Federal Victor Poubel que o chinês costumava usar a aliança e o cordão sempre.
O sumiço deixou a família de Chang indignada, segundo o advogado José David Lopes.
Informações passadas anonimamente ao Disque-Denúncia confirmam que o comerciante foi espancado por agentes penitenciários do presídio Ary Franco.
Segundo o coordenador do serviço, Zeca Borges, uma delas, bastante detalhada, pode ter sido dada por alguém que assistiu à sessão de espancamento. "Trata-se de um relatório de tudo que aconteceu a Chang no presídio", disse Borges.
De acordo com a denúncia, as agressões começaram porque Chang pediu socorro a um tio pelo telefone falando em chinês.
O comerciante havia telefonado a mando dos agentes, que, a fim de extorquí-lo, exigiam que ele informasse a senha de seu cartão bancário - Chang alegou que não sabia o código de cabeça. Ao ligar, ele falou com o tio em chinês para que os agentes não entendessem, o que os irritou.
O tio do chinês confirmou mo depoimento que recebeu uma ligação às 23 horas do dia 26 - 24 horas depois de Chang ser preso -, em que ele, em chinês, se queixava de agressões, mas não de extorsão.
O delegado Marcelo Fernandes ouviu três agentes penitenciários que estavam de plantão no dia 27 de agosto, quando o chinês foi encontrado inconsciente.
Dois presos que estavam na mesma cela de Chang, um peruano e um inglês, também prestaram depoimento. Até o início da noite, o delegado não havia informado o que foi relatado. Nesta quinta-feira devem ser ouvidos outros presos e policiais militares que faziam a segurança externa do presídio quando Chang chegou.
Marcelo Fernandes quer saber qual era o estado físico do comerciante, a fim de apurar se ele já havia sofrido agressões quando estava sob custódia da PF.
A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Rio (OAB-RJ) vai acompanhar as investigações. O presidente da entidade, Octavio Gomes, que recebeu o advogado José David Lopes nesta quarta-feira, destacou três advogados para a tarefa.
Jóias de chinês morto estão desaparecidas
Quarta, 10 de Setembro de 2003 às 21:12, por: CdB