Começa com força total, nada menos que quatro anos antes, o esquema que visa o lançamento da candidatura do ex-governador de Minas, agora senador eleito, Aécio Neves (PSDB-MG), à Presidência da República em 2014. Uma das pontas de lança do esquema é o sucessor de Aécio, o governador tucano mineiro, Antônio Anastasia. Ele se prevalece do total controle que os governos de Minas sempre detém sobre a imprensa do Estado, e do espaço que a tradicional velha mídia concede ao PSDB, para publicar hoje extensas entrevistas aos grandes jornais - O Estado de S.Paulo, Valor Econômico, Folha de S.Paulo, etc. - sempre com a mesma tônica: Aécio tem de ser o candidato a presidente em 2014. Nas entrevistas de hoje, Anastasia repete, também, uma espécie de chavão: o é nacional e não tem dono. Recado mais claro, impossível, para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador paulista Geraldo Alckmin e, principalmente, o candidato tucano a presidente derrotado no ano passado, José Serra que, age na surdina, mas não desencarna do eterno papel a que se atribui de candidato ao Planalto. O movimento pró-candidatura Aécio-presidente foi deflagrado ainda antes da virada do ano (e apenas um mês após a eleição da presidenta Dilma Rousseff) pelo novo presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, em cerimônia na FIESP a que estava presente o presidente Lula. Intensifica-se agora com Aécio, já praticamente em campanha, por enquanto ainda disfarçada pela luta política deles para enfraquecer a hegemonia que o tucanato paulista detém sobre o nacional. Com Antônio Anastasia à frente, a campanha aecista é deflagrada com total apoio e uso da poderosa máquina de governo de Minas Gerais. Detalhe: o grupo que se lança a campo, quatro anos antes do próximo pleito presidencial, é o mesmo que entrou com dezenas de ações junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acusando o então presidente Lula e atual presidenta, Dilma Rousseff, de fazerem campanha eleitoral antecipada.