Os jogadores do Milan Gennaro Gattuso e Giuseppe Pancaro recusaram-se a fazer exames de sangue opcionais depois da partida de domingo pelo campeonato local contra a Roma, deixando o presidente da Federação Italiana de Futebol, Franco Carro, em situação delicada.
Apesar de não haver sanção formal pela recusa da entrega de amostras de sangue opcionais, Carraro ameaçou cortar da seleção italiana quem se recusar a fazer o teste.
Gattuso foi convocado para a partida da Itália contra a Escócia pelas eliminatórias da Copa no estádio San Siro, em Milão, no sábado. Ele defendeu sua decisão dizendo que o atual sistema foi mal organizado e aplicado de maneira irregular.
- Ou as coisas são feitas de maneira séria, ou não são feitas. Durante meses ninguém foi chamado (para fazer exame de sangue) e agora eles aparecem com isso. De qualquer maneira, não vejo onde está o problema, já que nada é obrigatório. Deveríamos planejar bem os controles, tornando-os iguais para todos, e então eu ficaria feliz em aderir - disse o volante do Milan nesta terça-feira.
A Itália começou a fazer exames de sangue aleatórios em janeiro no ano passado para completar os testes de urina obrigatórios. Carraro precisa agora decidir se cumprirá a punição que prometeu no ano passado, quando disse:
-Jogadores que não aceitarem exames de sangue não serão convocados para a seleção. Eles também estarão sujeitos a testes aleatórios durante a temporada.
O médico do Milan, Massimiliano Sala, disse que no caso dos dois jogadores que se recusaram a fazer exame de sangue, os testes foram realizados com urina.
-Se um jogador se recusa a fazer uma análise de sangue ele não faz isso para escapar de um controle antidoping, porque na realidade, com base nesta recusa, ele passa por um controle mais apropriado - disse Sala.
Ele acrescentou que, segundo a lei italiana de privacidade, os nomes dos jogadores que se recusaram a entregar amostras de sangue não deveriam ser divulgados.
A Itália tem um forte sistema antidoping. Dois jogadores de cada equipe da primeira e da segunda divisões fazem testes a cada partida.
Diversos jogadores foram suspensos após exames antidoping positivos para substâncias proibidas nas últimas temporadas. Em novembro, o médico da Juventus, Riccardo Agricola, foi declarado culpado por administrar substâncias proibidas entre 1994 e 1998. Agricola está apelando contra o veredicto.