Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Jobim propõe acordo estratégico à França

O ministro brasileiro da Defesa, Nelson Jobim, reunido na terça em Paris com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, estabeleceu uma “aliança estratégica” entre as forças militares dos dois países que prevê a transferência de tecnologia francesa para a construção de submarinos nucleares de defesa e também a produção do helicóptero Cougar, da Eurocopter, no Brasil. Segundo Jobim, o governo se comprometeria a comprar cerca de 50 helicópteros, destinados à Marinha, Exército e Aeronáutica, desde que os modelos Cougar sejam produzidos no Brasil pela filial da Eurocopter, a Helibrás. Partes dos submarinos serão construídas em estaleiros do Rio de Janeiro

Terça, 29 de Janeiro de 2008 às 09:45, por: CdB

O ministro brasileiro da Defesa, Nelson Jobim, reunido na terça-feira em Paris com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, estabeleceu uma “aliança estratégica” entre as forças militares dos dois países que prevê a transferência de tecnologia francesa para a construção de submarinos nucleares de defesa e também a produção do helicóptero Cougar, da Eurocopter, no Brasil. Segundo Jobim, o governo se comprometeria a comprar cerca de 50 helicópteros, destinados à Marinha, Exército e Aeronáutica, desde que os modelos Cougar sejam produzidos no Brasil pela filial da Eurocopter, a Helibrás. A Eurocopter é uma subsidiária do consórcio europeu EADS, que controla a Airbus, com participação acionária do Estado francês.

– Para produzir o Cougar no Brasil, a empresa quer que haja a definição de uma compra desses helicópteros no país. Só compraremos nessas condições, se houver transferência de tecnologia – afirmou o ministro Jobim.

Ele afirmou que essa visita à França, que vai até sexta-feira, não é “uma viagem de compras e sim de discussões de parcerias para a realização de projetos”. O ministro discutiu na segunda-feira em Paris com represantes do banco francês Société Générale - que acaba de sofrer uma gigantesca fraude de cerca de US$ 7 bilhões - a possibilidade de financiamento desse projeto envolvendo a compra e a produção de helicópteros Cougar no Brasil.

Submarinos nucleares

No encontro desta terça-feira com o presidente Sarkozy no Palácio do Eliseu, Jobim também discutiu a transferência de tecnologias para a produção de submarinos nucleares de defesa no Brasil, um projeto desenvolvido pela Marinha brasileira desde 1979, mas que não saiu do papel por questões orçamentárias. O ministro afirmou que o Brasil já tem a tecnologia do ciclo de produção do combustível nuclear, mas ainda não em escala industrial (parte é feita na Europa e outra parte no Canadá).

– Já dispomos da tecnologia para a produção do combustível. Ainda não temos escala industrial por questões econômicas. Precisamos da tecnologia francesa para construir o casco e todo o sistema informático interno do submarino – disse Jobim.

A parceria para a transferência de tecnologia seria realizada com a empresa francesa DCNS, estaleiro controlado pelo governo francês que produz esses submarinos (75% do capital pertence ao Estado e os 25% restantes ao grupo Thales). Jobim se encontrou na segunda-feira com o presidente da DCNS, Jean-Marie Poimboeuf, e visitará na quarta-feira, em Toulon, um submarino nuclear de ataque e, na quinta, a sede da empresa em Cherbourg, no norte da França.

O acordo dos helicópteros seguirá o modelo que deverá ser utilizado para a produção no Brasil de submarinos Scorpène. Os modelos de ataque e propulsão convencional deverão ser produzidos no estaleiro da Marinha no Rio e em outra unidade, a ser construída em local ainda não revelado, com valor estimado em US$ 600 milhões cada. O Scórpene é o modelo mais novo da Marinha francesa.

Além dos helicópteros e submarinos, o Ministério da Defesa analisa propostas para aquisição de caças de quinta geração, dentro do programa FX-2. Jobim tem dito que o Ministério da Defesa quer também aprimorar o parque industrial bélico do País. Assim, crescem as chances de que o caça escolhido seja o Rafale-C, produzido pela francesa Dassault.

De acordo com o ministro, a “aliança estratégica” entre Brasil e a França na área militar envolve, além da transferência de tecnologias, acordos de cooperação para a formação de soldados.

– A aliança estratégica faz parte do Plano Estratégico da Defesa que estamos elaborando e que deverá estar concluído até setembro – disse Jobim.

Segundo ele, os detalhes da aliança estratégica entre o Brasil e a França deverão ser anunciados no encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Sarkozy na Güiana Francesa, previsto no di

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