Jobim não planeja sair antes da aprovação da Comissão da VerdadeEx-colaborador de Nelson Jobim no governo Lula diz que ministro da Defesa considera ter uma missão: ajudar a aprovar lei que cria Comissão da Verdade para esclarecer violação de direitos humanos. Em estratégia avalizada por Dilma Rousseff, governo planeja votar projeto de supresa na Câmara dos Deputados, na volta do expediente parlamentar após duas semanas de recesso.
André Barrocal
BRASÍLIA – O ministro da Defesa, Nelson Jobim, não cogita deixar o governo antes da votação, pelo Congresso, da lei que cria uma Comissão da Verdade para esclarecer casos de tortura e morte contra ativistas políticos.
Jobim considera que precisa ajudar o governo a aprovar a projeto e que esta é sua missão política mais importante no ministério, de acordo com relato de um ex-colaborador que trabalhou diretamente com ele na gestão Lula.
A estratégia do governo para aprovar a lei na Câmara dos Deputados, segundo relato de um articulador político do governo, é mandar um pedido de urgência logo neste reinício do trabalho parlamentar pós-recesso, para votar o texto em plenário de surpresa, com os adversários desprevinidos.
A operação, avalizada pela presidenta Dilma Rousseff, implica contornar a votação em uma comissão especial criada só para discutir o projeto. Alguns deputados e parentes de mortos e desaparecidos são contra os planos do governo, pois querem mudar o texto, para punir assassinos e toruradores.
Setores militares também rejeitam o projeto, mas por razões opostas, e Jobim acha que pode ajuda a contornar tais resistências. Declarações recentes do ministro, no entanto, levantaram suspeita de que ele gostaria de deixar o governo e estaria desafiando a presidenta Dilma Rousseff a demiti-lo.
Na semana passada, por exemplo, Jobim deu uma entrevista, sem ter um plano para anunciar ou defender, na qual revelou ter votado em José Serra (PSDB), seu padrinho de casamento, contra Dilma no ano passado.
O voto não surpreendeu a presidenta. Durante a eleição, Jobim disse ao ex-presidente Lula, em conversa testemunhada por vários ministros, que não poderia fazer para campanha para Dilma por causa de sua relação com Serra.
O que causou estranheza foi a confissão pública, classificada de “desnecessária” pelo ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho.
Nesta segunda-feira (01/08), Jobim deu nova entrevista e, confrontado por jornalistas, procurou desfazer as desconfianças. Disse que considera Dilma “extraordinária”, que mantém com ela uma relação “ótima”, que está no governo “por prazer” e que tem o “desejo do continuar”. “Tenhos projetos a tocar”, afirmou.
A Comissão da Verdade seria o mais importante dos “projetos a tocar”.