Rio de Janeiro, 07 de Fevereiro de 2026

Jobim diz que quer reformular estrutura do Ministério da Defesa

Quarta, 25 de Julho de 2007 às 18:03, por: CdB

O novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, pretende reformular a estrutura do ministério, para torná-lo "integrador de uma política de segurança". Em entrevista coletiva à imprensa após a posse, no final da tarde desta quarta-feira, Jobim denunciou a "falta de estruturação e de interrelação" entre os órgãos do setor na situação emergencial criada a partir do acidente com o avião da TAM, em São Paulo, no dia 17.

— O que se passa é que temos, com a criação de diversos órgãos, uma certa disparidade de ações. Estamos com um problema de comando, e isto vai ter —, afirmou.
 
O ministro informou que verificará a necessidade de criação de uma secretaria de política de aviação civil. Jobim questionou a eficiência do atual sistema.
 
— Nós temos uma empresa pública, que é a Infraero, que trabalha com a infra-estrtutura aérea, e temos essa agência que estabelece as linhas de negociação entre as empresas para atender aos interesses dos usuários. Esse modelo funciona? Essa é a pergunta que estou me pondo —, disse aos jornalistas.

Os presidentes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, e da Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária), José Carlos Pereira, não compareceram à solenidade de posse do novo ministro da Defesa, no Palácio do Planalto. Por telefone, Pereira informou à Agência Brasil que sequer foi comunicado da posse e que estava "às voltas com o apagão aéreo". Ele disse que está tentando marcar  uma audiência com o novo ministro.

Jobim contou que foi convidado na terça-feira à noite para assumir o ministério e disse que não anunciaria medidas sem antes fazer um levantamento dos problemas do setor. Ações concretas, acrescentou, deverão ser anunciadas até o próximo final de semana.

— Amanhã vou me dedicar a esse assunto, à estruturação do ministério da Defesa e ao enfrentamento da questão emergencial atual, que é a questão aérea —, disse, após garantir que tem "carta branca" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para adotar as ações necessárias.

— Vamos tentar estabelecer fórmulas para esse modelo desaparecer e voltarmos ao sistema que tínhamos antes do acidente da Gol, ou seja, termos um funcionamento das estruturas aéreas brasileiras de forma satisfatória —, destacou Jobim.

— Se mudanças houverem, e seguramente pelas circunstâncias deverão haver, não serão partidarizadas —, ressaltou.

Sobre alterações no comando da Anac, lembrou que há limitações legais "no que diz respeito a mandatos", mas admitiu que fará uma análise dos resultados da agência reguladora e que "havendo necessidade, no momento oportuno nós encontraremos a fórmula".
 
—    Todas estas estruturas foram feitas para dar resultados, elas não foram feitas para serem mantidas sem resultados. Precisa ter resultados. Temos que estabelecer um sistema que funcione, e não um sistema que depende de pessoas que funcionem —, disse.

O novo ministro informou que na sexta-feira irá a São Paulo e visitará o hospital onde está sendo feita coleta de sangue dos familiares das vítimas do acidente da TAM para identificação dos corpos, como solicitado pelo presidente Lula. Também terá reuniões com o governador José Serra e com o prefeito da capital, Gilberto Kassab.

—  Vou a tudo. Vou a Congonhas, ao hospital, ao governo, a prefeitura e onde mais necessário for na definição dessa equação que decorrerá dos estudos de amanhã —, ressaltou.

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