O novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, pretende reformular a estrutura do ministério, para torná-lo "integrador de uma política de segurança". Em entrevista coletiva à imprensa após a posse, no final da tarde desta quarta-feira, Jobim denunciou a "falta de estruturação e de interrelação" entre os órgãos do setor na situação emergencial criada a partir do acidente com o avião da TAM, em São Paulo, no dia 17.
— O que se passa é que temos, com a criação de diversos órgãos, uma certa disparidade de ações. Estamos com um problema de comando, e isto vai ter —, afirmou.
O ministro informou que verificará a necessidade de criação de uma secretaria de política de aviação civil. Jobim questionou a eficiência do atual sistema.
— Nós temos uma empresa pública, que é a Infraero, que trabalha com a infra-estrtutura aérea, e temos essa agência que estabelece as linhas de negociação entre as empresas para atender aos interesses dos usuários. Esse modelo funciona? Essa é a pergunta que estou me pondo —, disse aos jornalistas.
Os presidentes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, e da Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária), José Carlos Pereira, não compareceram à solenidade de posse do novo ministro da Defesa, no Palácio do Planalto. Por telefone, Pereira informou à Agência Brasil que sequer foi comunicado da posse e que estava "às voltas com o apagão aéreo". Ele disse que está tentando marcar uma audiência com o novo ministro.
Jobim contou que foi convidado na terça-feira à noite para assumir o ministério e disse que não anunciaria medidas sem antes fazer um levantamento dos problemas do setor. Ações concretas, acrescentou, deverão ser anunciadas até o próximo final de semana.
— Amanhã vou me dedicar a esse assunto, à estruturação do ministério da Defesa e ao enfrentamento da questão emergencial atual, que é a questão aérea —, disse, após garantir que tem "carta branca" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para adotar as ações necessárias.
— Vamos tentar estabelecer fórmulas para esse modelo desaparecer e voltarmos ao sistema que tínhamos antes do acidente da Gol, ou seja, termos um funcionamento das estruturas aéreas brasileiras de forma satisfatória —, destacou Jobim.
— Se mudanças houverem, e seguramente pelas circunstâncias deverão haver, não serão partidarizadas —, ressaltou.
Sobre alterações no comando da Anac, lembrou que há limitações legais "no que diz respeito a mandatos", mas admitiu que fará uma análise dos resultados da agência reguladora e que "havendo necessidade, no momento oportuno nós encontraremos a fórmula".
— Todas estas estruturas foram feitas para dar resultados, elas não foram feitas para serem mantidas sem resultados. Precisa ter resultados. Temos que estabelecer um sistema que funcione, e não um sistema que depende de pessoas que funcionem —, disse.
O novo ministro informou que na sexta-feira irá a São Paulo e visitará o hospital onde está sendo feita coleta de sangue dos familiares das vítimas do acidente da TAM para identificação dos corpos, como solicitado pelo presidente Lula. Também terá reuniões com o governador José Serra e com o prefeito da capital, Gilberto Kassab.
— Vou a tudo. Vou a Congonhas, ao hospital, ao governo, a prefeitura e onde mais necessário for na definição dessa equação que decorrerá dos estudos de amanhã —, ressaltou.
Jobim diz que quer reformular estrutura do Ministério da Defesa
Quarta, 25 de Julho de 2007 às 18:03, por: CdB