O ministro da Defesa, Nelson Jobim, confirmou nesta segunda-feira que não poderá comparecer à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas da Câmara para prestar depoimento na próxima quarta-feira.
- Estou com problema. O presidente me convocou para uma viagem na quarta-feira, uma vez que ele vai à Amazônia, eu vou conversar com o presidente da CPI, deputado Itagiba [Marcelo Itagiba, do PMDB do Rio de Janeiro], vou telefonar para ele, para pedir o adiamento - disse Jobim, após participar de almoço com os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner, da Argentina, no Palácio do Itamaraty.
Nelson Jobim disse que caberá à direção da comissão agendar uma outra data para o seu depoimento, a partir da próxima semana.
- Espero que na semana que vem, possivelmente quarta-feira da semana que vem - completou Jobim.
A CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas confirmou ter recebido comunicado do ministro Jobim de que não poderá comparecer ao depoimento marcado para quarta-feira, em virtude de viagem com o presidente Lula a Manaus. Jobim foi convocado, por meio de requerimento, para prestar esclarecimentos e entregar à comissão documentos com a relação dos equipamentos adquiridos pela Comissão do Exército para a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Sobre a reportagem da revista IstoÉ, que cita o ex-agente do Serviço Nacional de Informações (SNI) Francisco Ambrósio do Nascimento como o coordenador do grupo da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) responsável por escutas telefônicas de autoridades, a pedido do delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, ex-coordenador da Operação Satiagraha, Jobim disse que não cabe a ele comentar o assunto.
- Não acho nada. Isso não me diz respeito. Esse é um assunto que deve ser esclarecido no inquérito, com o prosseguimento do inquérito. Espero que isso dê resultado - disse.
Em nota, divulgada no último domingo, a Abin negou que o ex-agente faça parte de seu quadro de funcionários.