O ministro da Defesa, Nelson Jobim, confirmou nesta quinta-feira que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) possui equipamentos para fazer escutas telefônicas.
A Abin foi acusada de grampear telefones de autoridades dos três poderes, o que levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a afastar provisoriamente seus dirigentes. A direção da agência nega que tenha tais aparelhos.
Jobim, que foi convocado para falar sobre o assunto à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas da Câmara, disse que mostrou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na segunda-feira, uma lista dos equipamentos adquiridos pela Abin por meio de uma comissão de compras do Exército instalada em Washington. Constam do levantamento aparelhos para localizar grampos, realizar interceptações telefônicas e fazer escutas ambientai, revelou o ministro.
De acordo com Jobim, essa comissão do Exército faz compras para outros órgãos do governo devido à experiência que tem. Tais aquisições precisam ser autorizadas pelo Ministério da Defesa. No caso da Abin, disse o ministro, quem fez o pedido foi o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.
- Na relação dos aparelhos adquiridos pela Abin, há uns que têm essas características de interceptação telefônica - disse Jobim a jornalistas.
O ministro ponderou, entretanto, que não pode comprovar a autoria dos grampos.
- Não tenho nada a dizer sobre quem grampeou ou deixou de grampear. Isso são hipóteses, suspeições - afirmou.
Jobim desconversou quando perguntado se o Exército tem o mesmo tipo de equipamento.
- Não estamos discutindo o Exército. Estamos discutindo Abin. O foco é Abin - concluiu.