O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou na manhã desta terça-feira que os atrasos registrados na segunda no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, mostraram que a Agência Nacional de Aviação Civil (anac) continua sem fazer o trabalho correto de fiscalização das aéreas. Segundo ele, ficou claro que as companhias aéreas ainda não prestam atendimento necessário às pessoas.
— A Anac tinha que ter regras claras para obrigar o melhor atendimendo às pessoas. A Anac continua agindo com a leniência que a caracteriza — afirmou o ministro, que participou nesta terça-feira da cerimônia de entrega da Ordem do Mérito da Aeronáutica, na Base Aérea de Brasília.
Na segunda, os atrasos atingiram cerca de 40% dos vôos programados durante quase todo o dia. Houve filas e movimento intenso, principalmente nos setores de embarque. De acordo com a Infraero, o movimento foi provocado por passageiros que tiveram vôos cancelados no domingo, quando várias aeronaves tiveram de suspender seus vôos.
Devido aos vôos atrasados, o Juizado Especial instalado no Aeroporto de Congonhas registrou 46 reclamações, mais do que o dobro da média diária de 20 ocorrências. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, 12 ações terminaram em acordo.
Mau tempo
Para Jobim, apesar dos problemas apontados em relação à Anac, os atrasos tiveram como causa o mau tempo. A versão é a mesma apresentada ontem pelo chefe de assessoria de imprensa da Força Aérea Brasileira (FAB), coronel Antonio Ramirez Lorenzo, dizendo que o atribuindo a responsabilidade ao tempo ruim. Anteriormente, a Infraero havia afirmado que problemas no controle de comunicação "devido ao tráfego intenso" eram os causadores dos atrasos.
Zuanazzi
Questionado sobre as declarações do presidente da Anac, Milton Zuanazzi, de que não deixaria o cargo espontaneamente, e que para tirá-lo de lá seria necessário mudar a lei que rege a Anac, o ministro preferiu não responder.
Em declarações anteriores Jobim havia confirmado que Zuanzzi pediria demissão, mas o presidente do órgão regulador sempre negou. — Nós temos que ter uma nova estrutura na Anac, mas temos uma agenda. Cada coisa acontece ao seu tempo — afirmou Jobim.