O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou nesta terça-feira que o Brasil e toda América do Sul têm o direito de investir em suas Forças Armadas. O fato não significa o início de uma corrida armamentista, nem a iminência de uma guerra na região. O ministro, em visita oficial à Venezuela, pretende discutir com o presidente daquele país, Hugo Chavez, a criação do Conselho Sul-Americano de Defesa, que "não terá pretensões de se equiparar à Otan pois tem como objetivo apenas a defesa", disse.
- Não há corrida armamentista na América do Sul. É importante que os países tenham armas. A projeção do poder da América do Sul depende das suas forças dissuasivas de defesa - afirmou Jobim.
O ministro também avaliou que o mundo tem utilizado os lucros com o petróleo para investir pesadamente em forças de guerra e o Brasil não pode ficar para trás se pretende ter alguma influência geopolítica. Ele afirmou que, atualmente, os lucros com o setor agrícola vem garantindo um crescimento qualitativo das Forças Armadas brasileiras.
O Brasil pretende adquirir um submarino nuclear para atualizar suas Forças Armadas, diz a autoridade brasileira. O potencial do Exército, Marinha e Aeronáutica, diz Jobim, "são grandes, mas têm equipamentos obsoletos". O pais também tem desejos já declarados de fazer parte do Conselho de Segurança da ONU.
O Brasil, a Venezuela e a Colômbia tem investido cada vez mais em armamentos, sendo que a Colômbia que recebe financiamento dos EUA para investir em suas Forças Armadas, com a explicação de atacar os grupos paramilitares do país, é dos três o que, proporcionalmente ao seu PIB, mais investe em poderio bélico.
Jobim, que já visitou a Argentina, o Equador, o Chile e a Bolívia garantiu que até o fim do ano o Conselho deverá ser cristalizado.
A idéia da criação de um conselho surgiu do Brasil logo após a recente crise entre Quito e Bogotá, provocada pela incursão colombiana em território equatoriano para atacar um importante acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que deixou Raúl Reyes, o então número do grupo, morto.
EUA
Jobim afrimou que não há nenhuma necessidade de se pedir algum tipo de permissão para os EUA para a criação do Conselho.
- Se é um Conselho Sul-Americano, aqui não há os Estados Unidos... Não temos nenhuma obrigação de pedir licença aos Estados Unidos para fazer isso - disse Jobim ao explicar que esteve nos EUA recentemente apenas para explicar os planos de criação do Conselho para autoridades daquele país.