Rio de Janeiro, 18 de Agosto de 2026

João Paulo II pede que fiéis orem por ele

Terça, 07 de Outubro de 2003 às 10:26, por: CdB

O Papa João Paulo II rezou pela paz no mundo, em particular no Oriente Médio, em sua peregrinação ao santuário de Nossa Senhora em Pompéia, no Sul da Itália. Ele foi recebido carinhosamente pelos fiéis, que temem que esta seja sua última viagem. Ao final do rosário, o Papa agradeceu várias vezes a todos pelo entusiasmo e afeto com que o receberam e pediu: "orem por mim".

Aos 83 anos de idade, o Papa rezou o rosário junto com 30 mil peregrinos, orando pela paz no mundo, segundo ele "afetado neste início de milênio pelos ventos da guerra e os rastros de sangue em tantas regiões". João Paulo II, que sofre do mal de Parkinson e cuja saúde tem se deteriorado nos últimos meses, fez um grande esforço para pronunciar seu discurso, interrompido em várias ocasiões pelos aplausos.

Em nome dos presentes, o bispo de Pompéia, monsenhor Domenico Sorrentino, desejou ao Sumo Pontífice que "o Senhor o mantenha em vida por muito tempo como testemunha da paz". Durante a cerimônia, que durou mais de duas horas, O Papa comandou as orações consagradas à paz nos cinco continentes.

"Queria que esta peregrinação se tornasse um apelo a favor da paz. Oremos para que a luz de Cristo ilumine os conflitos, as tensões e os dramas do mundo", declarou João Paulo II, que apareceu em relativa boa forma e sorridente no início da cerimônia. Ele recordou que Pompéia, com seu santuário e seu parque arqueológico (a cidade foi coberta pela erupção do vulcão Vesúvio no ano 70 depois de Cristo) lembra o compromisso dos cristãos e dos homens de boa vontade em batizar-se e serem testemunhas da paz.

Na chamada súplica à Virgem, o pontífice rogou pela paz no continente americano. "Que reconheça o dom do Evangelho, para que encontre através dele o princípio inspirador de seu caminho de paz em plena liberdade e com justiça social", declarou.

O Papa também falou do conflito no Oriente Médio ao pedir ao continente asiático "que suas antigas culturas e religiões se abram à tolerância e estima recíprocas, em particular na terra de Jesus, para que encontre a tão desejada paz". E desejou que a África, "apoiada pela solidariedade do mundo, consiga superar a lógica dos conflitos e obtenha um progresso econômico e social".

Papa pede orações
"Obrigado, obrigado Pompéia, obrigado a todos os peregrinos por esta acolhedora e belíssima recepção. Obrigado aos cardeais e bispos presentes, obrigado às autoridades do país, da região, da cidade. Obrigado pelos jovens. Obrigado a todos. Orem por mim neste santuário e sempre", pediu.

Cerca de 30 mil pessoas o esperavam desde o início da manhã em frente ao santuário com a esperança de vê-lo de perto, já que muitos consideram que esta pode ser sua última viagem. "Ele tem exatamente a minha idade, mas eu estou muito bem. Gostaria de lhe dar parte da minha saúde, para que possa continuar sua missão e continuar viajando", comentou Ana Maria, uma camponesa que vive perto de Salerno (Sul), usando o tradicional véu preto.

"Já o vi duas vezes, em Nápoles em 1979 e 1991. Ele envelheceu, mas é um dos grandes da história, alguém que sabe transmitir a fé que tem", acrescentou Concetta, uma napolitana mãe de seis filhos. "É verdade, o Santo Padre está muito cansado, mas quando há jovens, como hoje, tira energias", comentou Orazio Soricelli, bispo de Amalfi.

Os detentos da prisão de Poggioreale, uma das maiores do país, enviaram ao Papa ua curiosa mensagem: "O senhor jamais falta ao encontro com os que sofrem. O senhor é um exemplo para nós, que optamos pelo mau caminho".

O Papa tem uma agenda muito cheia em outubro. No próximo dia 16 irá celebrar seus 25 anos de pontificado, um dos mais longos da história. Três dias depois irá presidir no Vaticano a beatificação da madre Teresa de Calcutá e para o dia 21 convocou um Consistório, assembléia de cardeais, para os 31 já designados.

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