O presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) entrou na frente de defesa ao ministro da Fazenda, Antônio Palocci, orquestrada pelo governo, que já recebeu contribuição nesta semana com as declarações de apoio feitas pelo ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e até de um senador do PSDB. João Paulo convocou entrevista coletiva nesta quinta-feira, em Brasília, com a intenção clara de apoiar a política econômica do ministro Palocci, que tem sido constante alvo de críticas por parte dos partidos aliados.
Ele disse que as votações ocorridas na quarta-feira à noite na Câmara, como a medida provisória da Cide e o projeto que cria a PPP (Parceria Público Privada) "ajudam a sustentar a política econômica do ministro Antônio Palocci". Mesmo assim, sinalizou com possível alteração na economia.
A estratégia do governo parece ser a de criar um ambiente favorável ao ministro da Fazenda antes de ele comparecer ao Congresso, na próxima terça-feira, para uma audiência sobre os rumos da política econômica. Na terça-feira, em discurso para prefeitos do PT, Dirceu disse que "não haverá mudança na política econômica contra o ministro Palocci".
Para o presidente da Câmara, as críticas à condução da economia, mesmo as vindas da base aliada, têm que ser respeitadas. No início da semana, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que Palocci não tinha competência para dirigir a política econômica do país. Antes, o PT divulgou documento cobrando mudanças que levem ao desenvolvimento e o PMDB exigiu mais ousadia. Já o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) não só defendeu a política econômica como acusou a base de tentar desestabilizar o ministro Palocci.
"Todos nós, alguns com grau mais acentuado, outros com grau menos acentuado, fazemos questionamentos à política econômica. Mas você não reforma um trem em andamento tirando o piloto, ou então, fazendo turbulência dentro deste trem... Mesmo que tenha que mudar tem que ser uma mudança de forma planejada", ponderou João Paulo. "Nós sempre teremos críticas e muitas delas são críticas procedentes. E muita gente anda angustiado com vários aspectos da política econômica, isso não é nenhum pecado, não é um crime. Só que isso não pode ser feito em demasia e existe um ambiente certo para você exercitar essa crítica".
O deputado disse ainda que não vê necessidade de um código de conduta para a base aliada, como foi sugerido pelo líder do PMDB na Senado, Renan Calheiros (AL). "O que precisa é diálogo. Em momentos de crise, o diálogo sempre é reduzido, ele desaparece, porque todo mundo fica preocupado em resolver mais rapidamente a situação de crise... Passado esse momento, vamos retomar o diálogo".