O presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), ficou do lado do Poder Judiciário na disputa travada com o Poder Executivo sobre o envio pela Organização das Nações Unidas (ONU) de uma comissão internacional de fiscalização ao Judiciário. "Minha impressão pessoal é de que não é uma visita de qualquer organismo da ONU é que vai resolver o problema da Justiça brasileira. O problema do Judiciário tem que ser discutido aqui dentro do País", afirmou, após participar de encontro na Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib).
"As mazelas, morosidade, as dificuldades, tudo isso tem que ser discutido aqui dentro do País. Acho que mesmo os juízes e ministros têm preocupação e querem melhorar o desempenho do Judiciário." Uma sugestão de fiscalização externa do Poder Legislativo seria algo "inaceitável", adicionou o parlamentar. "Quem analisa o Legislativo é o povo, de quatro em quatro anos, julgando se os deputados e os senadores agiram ou trabalharam bem", disse.
Cunha afirmou que na sua defesa do Poder Legislativo não tinha nenhuma relação de desqualificação da ONU. "A ONU, do nosso ponto de vista, é o organismo internacional mais importante, diferentemente de alguns países, o Brasil tem que prestigiar e respeitar suas decisões. Mas uma ingerência dessa natureza (no Poder Legislativo) seria inaceitável", avaliou