Rio de Janeiro, 30 de Abril de 2026

João Paulo Cunha pede para ser inocentado

Ex-presidente da Câmara, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) compareceu para prestar depoimento ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, na manhã desta quinta-feira, e justificou o fato de não haver concedido nenhuma declaração pública desde que foi acusado de utilizar recursos irregulares das empresas de Marcos Valério. (Leia Mais)

Quinta, 24 de Novembro de 2005 às 10:37, por: CdB

Ex-presidente da Câmara, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) compareceu para prestar depoimento ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, na manhã desta quinta-feira, e justificou o fato de não haver concedido nenhuma declaração pública desde que foi acusado de utilizar recursos irregulares das empresas de Marcos Valério. A causa para o seu silêncio, disse, foram matérias equivocadas que a maioria dos jornais brasileiros publicaram. Ele citou o diário paulista Folha de S. Paulo, que o condenou em um processo que sequer esteva concluído no Tribunal de Contas da União.

- Diante de uma crise dessa magnitude, você abre os braços na tentativa de se segurar, mas é levado pela imensa correnteza - ilustrou.

Cunha também explicou que foi levado a sacar R$ 50mil das contas de Marcos Valério Soares, a mando do então tesoureiro do partido, Delúbio Soares.

- Recurso se busca no tesoureiro do partido e foi o que eu fiz - disse.

João Paulo Cunha informou que o dinheiro foi usado para pagar pesquisa de opinião do partido em Osasco (SP) e pediu para que sua mulher não seja responsabilizada pelo saque:

- Pedi a ela para ir ao Banco Rural.

O deputado se defendeu da acusação de participar do suposto esquema de pagamento de mesadas a parlamentares, dizendo que não poderia ter recebido dinheiro para votar a favor do governo porque na época era presidente da Câmara e não participava das votações. Ele acrescentou que não recebeu dinheiro para mudar de partido, porque não fez isso; nem fez caixa 2, porque não foi candidato nas últimas eleições.

- Só faz caixa 2 quem faz caixa 1 e eu não fui nem candidato - afirmou.

João Paulo afirmou que não vai chamar testemunhas para o seu processo:

- Os outros 512 deputados são testemunhas do meu caráter - afirmou ele, que também disse esperar que seu processo termine rápido.

O episódio da caneta Mont Blanc que ele recebeu de presente do empresário Marcos Valério também foi alvo de questionamento por parte dos deputados. Segundo afirmou Cunha, o regalo "avaliado em R$ 45 mil", segundo relatório encaminhado ao Conselho, não está mais com ele.

- Doei ao Programa Fome Zero - garantiu.

Diante do plenário da Comissão de Ética, João Paulo Cunha pediu a complacência dos pares.

- Peço com humildade a minha absolvição - resumiu.

O depoimento do deputado no Conselho de Ética começou por volta de 11h.

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