Ex-presidente da Câmara, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) compareceu para prestar depoimento ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, na manhã desta quinta-feira, e justificou o fato de não haver concedido nenhuma declaração pública desde que foi acusado de utilizar recursos irregulares das empresas de Marcos Valério. A causa para o seu silêncio, disse, foram matérias equivocadas que a maioria dos jornais brasileiros publicaram. Ele citou o diário paulista Folha de S. Paulo, que o condenou em um processo que sequer esteva concluído no Tribunal de Contas da União.
- Diante de uma crise dessa magnitude, você abre os braços na tentativa de se segurar, mas é levado pela imensa correnteza - ilustrou.
Cunha também explicou que foi levado a sacar R$ 50mil das contas de Marcos Valério Soares, a mando do então tesoureiro do partido, Delúbio Soares.
- Recurso se busca no tesoureiro do partido e foi o que eu fiz - disse.
João Paulo Cunha informou que o dinheiro foi usado para pagar pesquisa de opinião do partido em Osasco (SP) e pediu para que sua mulher não seja responsabilizada pelo saque:
- Pedi a ela para ir ao Banco Rural.
O deputado se defendeu da acusação de participar do suposto esquema de pagamento de mesadas a parlamentares, dizendo que não poderia ter recebido dinheiro para votar a favor do governo porque na época era presidente da Câmara e não participava das votações. Ele acrescentou que não recebeu dinheiro para mudar de partido, porque não fez isso; nem fez caixa 2, porque não foi candidato nas últimas eleições.
- Só faz caixa 2 quem faz caixa 1 e eu não fui nem candidato - afirmou.
João Paulo afirmou que não vai chamar testemunhas para o seu processo:
- Os outros 512 deputados são testemunhas do meu caráter - afirmou ele, que também disse esperar que seu processo termine rápido.
O episódio da caneta Mont Blanc que ele recebeu de presente do empresário Marcos Valério também foi alvo de questionamento por parte dos deputados. Segundo afirmou Cunha, o regalo "avaliado em R$ 45 mil", segundo relatório encaminhado ao Conselho, não está mais com ele.
- Doei ao Programa Fome Zero - garantiu.
Diante do plenário da Comissão de Ética, João Paulo Cunha pediu a complacência dos pares.
- Peço com humildade a minha absolvição - resumiu.
O depoimento do deputado no Conselho de Ética começou por volta de 11h.