Rio de Janeiro, 14 de Agosto de 2026

Jirau em questão

Quarta, 06 de Abril de 2011 às 09:41, por: CdB

Em Salvador, nesta 3ª feira, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), durante encontro promovido pela Juventude do PT no Estado, lamentei profundamente as condições de trabalho dos barragistas da usina hidrelétrica de Jirau, em Rondônia.

Depois de 3 semanas parados, eles decidiram cessar o movimento, mas a empreiteira Camargo Corrêa só permite a volta ao trabalho depois que a Secretaria de Segurança Pública do Estado oferecer condições de segurança nos canteiros.

Como destaquei ontem, aqui neste blog, repeti na palestra: um pacto tripartite entre governo, empreiteiras e trabalhadores, em prol de melhores condições de trabalho na infraestrutura é mais do que fundamental para a volta à normalidade nos canteiros das grandes obras no Brasil.

No caso de Jirau alguns pontos já estão acertados

O acerto desses primeiros itens foi o que possibilitou a decisão dos barragistas de voltar ao trabalho. Hoje a Folha dá à matéria sobre minha estada em Salvador sob o título "Dirceu diz que trabalhadores de Jirau estavam em 'campo de concentração de luxo'".

Já expliquei ao jornalão da família Frias, que a expressão 'campo de concentração de luxo', utilizada durante minha fala, foi, obviamente, uma força de expressão. Como não sei se eles divulgarão a explicação, repito-a, agora, a vocês.

O fato, meus amigos, é que não devemos esquecer as terríveis condições de trabalho que ainda persistem no nosso país neste setor. O Brasil não admite mais esse tipo situação e o governo, via intermediação do pacto, age para mudar esse quadro que, infelizmente, se verifica, também, em obras de vulto como as do PAC.

Barragistas sentiam-se prisioneiros

Na palestra - e nas explicações ao Folhão - assinalei que "os trabalhadores se sentiam muito isolados, sem acesso à família e, naquelas condições, muitos se sentiam como se fossem prisioneiros. Esta, então, é uma nova realidade que as empresas e o governo têm que enfrentar de forma inadiável".

Afirmei, ainda, que apesar da alimentação e do alojamento, aparentemente, serem "razoáveis", há sim os "problemas com os capatazes, que chefiam os grupos de trabalhadores". Sem contar, a continuidade da nefasta figura do "gato", o intermediário aliciador de operários para as grandes obras.

Felizmente, um dos primeiros itens fechados sobre Jirau no pacto em negociação foi a extinção do trabalho do "gato" nas obras da hidrelétrica - as contratações para a obra passam a ser feitas pelo SINE - Sistema Nacional de Emprego.

 

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