Para quem acompanha a carreira de Jim Carrey, não há nada de muito original em seu novo filme Sim Senhor, que estréia em cópias dubladas e legendadas em todo o país. Além dos já conhecidos trejeitos e caretas do ator, a própria trama soa conhecida, uma espécie de reciclagem de O Mentiroso, de 1997.
Em vez de não poder mentir, como ocorria em seu personagem naquele filme de doze anos atrás, Carrey interpreta um rapaz que não pode dizer não. Nesta nova produção, o ator é Carl Allen, um bancário entediado, que prefere ficar só à companhia de seus amigos Peter (Bradley Cooper, de Penetras Bons de Bico) e Rooney (Danny Masterson, do seriado That '70s Show).
Divorciado e com um emprego sem futuro, Carl morre de tédio e entra em crise quando seus amigos o abandonam. A solução para os seus problemas aparece em uma palestra de auto-ajuda do guru Terrence Bundley (o veterano Terence Stamp, de O Estranho), que o faz prometer jamais dizer não outra vez.
Um mendigo pede uma carona para o outro lado da cidade e também para usar seu celular? Carl deve dizer sim. Uma senhora pede um empréstimo no banco para montar uma confeitaria, cuja especialidade é fazer bolos com rostos de atores famosos obesos? Sim, por que não?
Com esse contexto, Jim Carrey desfila toda a sorte de caras e bocas, com o sua costumeira histrionice. O diretor Peyton Reed (de Abaixo ao Amor) não consegue segurar o ator, que leva a produção nas costas, sem dar oportunidades para quem atua ao seu lado. Em especial à atriz Zooey Deschanel (de Fim dos Tempos), que interpreta sua namorada.
O roteiro limitado e irregular de Nicholas Stoller (de As Loucuras de Dick e Jane) e Jarrad Paul (da refilmagem A Feiticeira, de 2005) também não dá muita chance aos outros personagens, que apenas servem de escada para Carrey. Alguns deles, como a ex-mulher de Carl, Stephanie (Molly Sims, de Starsky & Hutch - Justiça em Dobro), sequer têm um papel funcional na trama.
Para quem gosta de Jim Carrey como comediante e não se cansa de suas caretas, Sim Senhor é mais do que recomendado. Afinal, o filme se trata exatamente disso.