Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Jim Carrey é gay trambiqueiro em <i>O golpista do ano</i>

O golpista do ano não é uma típica comédia ao estilo de Jim Carrey. O longa também não se encaixa na categoria de drama. O que realmente pode assustar o público de Carrey é que seu personagem é notoriamente gay e vive um romance com o personagem de Rodrigo Santoro. (Leia Mais)

Sexta, 04 de Junho de 2010 às 07:10, por: CdB
O golpista do ano, que estreia em circuito nacional, não é uma típica comédia ao estilo de Jim Carrey, como as que o tornaram famoso (O mentiroso, O Máscara ou Débi e Lóide). O longa também não se encaixa na categoria de drama, gênero em que o ator também tem uma carreira bastante relevante como O Mundo de Andy e Brilho eterno de uma mente sem lembranças.

Mas o que realmente pode assustar o público de Carrey é que seu personagem é notoriamente gay e vive um romance com o personagem de Rodrigo Santoro (Cinturão Vermelho) e depois com o de Ewan McGregor (O escritor fantasma).

Quando o filme começa, o personagem de Carrey, Steven, está em seu leito de morte. Boa parte do filme transcorre como um longo flashback. Primeiro, ele conta como foi um policial que abandonou a mulher e a filha, assumiu sua homossexualidade (até então vivia "dentro do armário"), e caiu no mundo com namorado (Santoro) a tiracolo. Um acidente de carro que quase o mata faz o protagonista repensar sua vida.

Mas ele logo descobre que ser gay, fashion e viver uma vida de luxo não é nada barato. Ele começa a dar pequenos golpes que, num efeito bola de neve, vão se tornando cada vez maiores até levá-lo à prisão - onde ele irá conhecer seu grande amor: Philip Morris (McGregor), um sujeito doce e um tanto ingênuo. O amor é à primeira vista. Mas nem com o novo namorado Steven consegue manter sob controle seu impulso mentiroso, o que só complica a situação.

Fora da prisão e com uma vida repleta de mentiras dos mais variados tamanhos, Steven consegue manter um alto padrão de vida. Obtém bons empregos, salários gigantescos e uma vida de luxo, dando um golpe depois do outro. Quando a verdade vier à tona, poderá ser tarde demais.

O humor em O golpista do ano vem mais do absurdo das situações, cada vez mais insólitas, do que das caretas de que Carrey não abre mão quando faz comédia. A ideia do filme não é que seu personagem seja engraçado. A graça reside na bola de neve, nas mentiras cada vez maiores e nas situações nada convencionais do romance entre Phillip e Steven.

Como já haviam revelado no roteiro de Papai Noel às avessas, Glenn Ficarra e John Recqua mostram em O golpista do ano um gosto pelo politicamente incorreto. Não há limites para o romance dos dois personagens, que já na cadeia vivem uma paixão ardente.

Se Carrey é careteiro em boa parte do tempo, McGregor, pela terceira vez nos últimos meses, encarna o ingênuo útil - as outras duas foram em O escritor fantasma e Os homens que encaravam cabras. McGregor faz o personagem com honestidade, sem nunca cair na caricatura ou na vulgaridade.

Nos Estados Unidos, O golpista do ano ainda está inédito em circuito comercial, embora já tenha sido exibido em festivais. Cogitou-se até em lançar o filme direto em DVD. Talvez seja um sinal dos tempos em que a sociedade norte-americana mostra-se mais conservadora. Em todo caso, é de se aplaudir a coragem e ousadia do ator em aceitar um papel tão controverso.

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