Na última sexta-feira o carioca pode apreciar um bom show. Foi, obviamente, um evento nostálgico por se tratar de uma banda que passou décadas no ostracismo e sobrevive da competência de bons músicos e de um repertório que foi ícone em um determinado momento: Jethro Tull.
- O show não foi tão bom, faltaram músicas no repertório e nem se compara com a última apresentação dos caras no Canecão, lotado, há oito anos. - disse um fã na fila do estacionamento que, apesar de tudo, não escondeu a empolgação e a felicidade de ter assistido ao concerto.
A decepção de muitos foi o bis, que trouxe apenas duas músicas (Locomotive Breath e Wind Up, ambas do disco Aqualung) e finalizou um show relativamente curto - com cerca de 1h45 min. A decepção de outros foi a ausência de músicas do disco Living in The Past e de composições simbólicas como My God e A Song For Jeffrey.
Anderson é um grande músico, preservou suas qualidades na flauta e se consolidou como um impecável solista. Já como cantor, mostra um cansaço e uma certa dificuldade em atingir alguns timbres de voz (talvez daí resida o fato de a banda não ter tocado Himn 43, uma mostra da versatilidade vocal de Anderson no início dos anos 70). Martin Barre também envelheceu, mas manteve sua técnica intacta (se não melhor). O resto da banda cumpriu seu papel como se esperava (James Duncan, baterista, disputou com Anderson e Barre os momentos de virtuosidade instrumental, com boa técnica e excelentes viradas).
Os melhores momentos da apresentação foram Mother Goose, com um instrumental bem diferente do que se conhece no disco, com direito a um improviso bem peculiar do Jethro Tull, e Pavane, de Fauré, que está no último álbum The Jethro Tull Christmas Álbum.
Desconsiderando o fato de não ter sido tocado o "repertório completo" ou o show ter tido uma duração não muito satisfatória, foram momentos de perplexidade. Como demonstrou o fã na fila do estacionamento, apesar de tudo, foi difícil esconder a empolgação. Visto por um lado mercadológico, a banda fez um show frio, com poucos hits e temas bastante longos. Visto por um lado técnico, foi uma obra prima.
Jethro Tull faz show com poucos hits e técnica impecável
Segunda, 22 de Março de 2004 às 06:35, por: CdB