Por José Inácio Werneck - Está em Josué, no Velho Testamento, que Jeová ordenou a seus seguidores, depois da batalha de Jericó, que “destruíssem com a espada todos os seres vivos encontrados na cidade, homens, mulheres, crianças, os velhos e os jovens, o gado, as ovelhas e os jumentos”.
A tomada de Jericó pelos judeus, segundo o Velho Testamento, foi cruel
Está em Josué, no Velho Testamento, que Jeová ordenou a seus seguidores, depois da batalha de Jericó, que “destruíssem com a espada todos os seres vivos encontrados na cidade, homens, mulheres, crianças, os velhos e os jovens, o gado, as ovelhas e os jumentos”.
A única poupada foi a prostituta Rahab, com sua famíia, por ter abrigado os espiões judeus.
Não chega a surpreender portanto que um novo documentário sobre a Guerra dos Seis Dias, entre judeus e árabes, mostre soldados israelenses, depois da batalha, dizendo que receberam ordens de seus superiores para matar todos os civis que encontrassem, “sem misericórdia”.
Este documentário, exibido no Sundance Film Festival, e dirigido por uma judia, Mor Loushy, chama-se “Vozes Censuradas” e o nome tem duplo sentido, pois não apenas traz depoimentos de israelenses que participaram da Guerra e ainda estão vivos como teve trechos censurados pelo governo de Israel, impedindo sua inclusão no filme.
O governo israelense teme que o documentário vá aumentar a condenação internacional ao país, depois do recente conflito na Faixa de Gaza.
O tenente-coronel Peter Lerner, do Ministério de Defesa de Israel, diz que o documentário “representa a vibrante democracia israelense, onde tudo pode ser discutido abertamente”.
É um filme de 84 minutos, com um orçamento que não chegou a um milhão de dólares, financiado por uma produtora americana chamada Impact Partners e alguns exibidores europeus e israelenses. O documentário traz cenas da Guerra de Seis Dias, pela rede americana ABC, e fica claro que Israel mostrou-se muito superior aos árabes em capacidade militar.
Mas o documentário mostra também que, logo depois da guerra, israelenses que receberam e cumpriram as ordens de matar civis indiscriminadamente, mesmo quando eles não ofereciam resistência, começaram a questionar a moralidade de suas ações.
Afinal, a maior parte dos combatentes israelenses veio dos kibutzes, o experimento socialista que marcou o nascimento do estado de Israel.
Mor Loushy teve que cortar partes de seu documentário e, para ela, o pior é que a lei israelense proibe que se divulgue, quando há censura, que parte está sendo censurada.
Mas é um documentário extremamente atual, quando se sabe que no início de março o Primeiro Ministro israelense, Benjamin Netanyahu, vai fazer um discurso belicista perante o Congresso Americano, procurando impedir que Barack Obama firme um Acordo Nuclear com o Irã.
Os anos passam - milhares de anos - mas os conflitos no Oriente Médio continuam tão vivos e sangrentos quanto nos tempos de Jericó.
José Inácio Werneck, jornalista e escritor, trabalhou no Jornal do Brasil e na BBC, em Londres. Colaborou com jornais brasileiros e estrangeiros. Cobriu Jogos Olímpicos e Copas do Mundo no exterior. Foi locutor, comentarista, colunista e supervisor da ESPN Internacional e ESPN do Brasil. Colabora com a Gazeta Esportiva. Escreveu Com Esperança no Coração sobre emigrantes brasileiros nos EUA e Sabor de Mar. É intérprete judicial em Bristol, no Connecticut, EUA, onde vive.Direto da Redação é um fórum de debates, editado pelo jornalista Rui Martins.
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