Rio de Janeiro, 14 de Maio de 2026

Jefferson tenta salvar mandato e diz negociar com o PT

O deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) anunciou, no início da noite desta quinta-feira, durante seu depoimento à CPI do Mensalão, que seu partido busca uma forma de legalizar o repasse de R$ 4 milhões que não foram contabilizados junto ao PT e, desta forma, pretende evitar a cassação do seu mandato. Esta quantia seria a primeira parte dos R$ 20 milhões que, segundo o parlamentar, seriam repassados ao PTB por petistas, como forma de saldar dívidas de campanha. (Leia Mais)

Quinta, 04 de Agosto de 2005 às 20:30, por: CdB

O deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) anunciou, no início da noite desta quinta-feira, durante seu depoimento à CPI do Mensalão, que seu partido busca uma forma de legalizar o repasse de R$ 4 milhões que não foram contabilizados junto ao PT e, desta forma, pretende evitar a cassação do seu mandato. Esta quantia seria a primeira parte dos R$ 20 milhões que, segundo o parlamentar, seriam repassados ao PTB por petistas, como forma de saldar dívidas de campanha.

O dinheiro, disse Jefferson, lhe foi entregue por Marcos Valério em malas de rodinhas, após liberação do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares.  As negociações, segundo Jefferson, estariam sendo conduzidas entre o ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, e o presidente do PT, Tarso Genro. Mares Guia negou as declarações de Jefferson.

Alvo é Dirceu

Firme no objetivo de atacar frontalmente o ex-ministro José Dirceu (PT-SP), o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) levantou em seu depoimento à CPI do Mensalão novas suspeitas sobre o governo e o PT, mas voltou a poupar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para Lula, disse, retribuiria o "cheque em branco" em demonstração de confiança que uma vez o presidente disse estar disposto a passar para ele.

A estratégia do parlamentar é fazer o jogo do eterno denunciante. A cada nova aparição, ele tenta emplacar uma novidade que dificulte a situação de petistas. Desta vez repetiu, com mais detalhes, a acusação de que Dirceu seria idealizador de uma suposta negociação fracassada com a Portugal Telecom para repasse de dinheiro ao PT e ao PTB.

Jefferson havia feito essa revelação no Conselho de Ética na terça-feira. Segundo ele, em 24 de janeiro deste ano, Rogério Tolentino, sócio do empresário Marcos Valério de Souza, Emerson Palmieri, tesoureiro informal do PTB, e o próprio Valério foram a Portugal, mas "voltaram de mãos abanando".

A acusação foi negada pela empresa, por Dirceu e por Valério, que é acusado de ser operador do suposto mensalão. O empresário admitiu ter se reunido com a Portugal Telecom, mas para tratar de assuntos de interesse de suas empresas.

Ao contrário do que havia sugerido no conselho, Jefferson eximiu Lula de conhecer as supostas negociações.

"Se minha declaração em algum momento fez suspeitar do presidente Lula, quero dizer que não fui claro", afirmou.

Diante dos questionamentos da oposição sobre Lula, Jefferson chegou a pedir que alguém do governo fosse à sessão para fazer essa defesa. "Não sou seu porta-voz."

Franco-atirador

Outra denúncia do petebista, trazida a público sem detalhes, dá conta de que ele e Valério trataram do antigo processo de compra da Varig pela TAP, viação aérea estatal portuguesa. Segundo uma fonte próxima à Varig, Valério viajou em março para se encontrar com a TAP como intermediário de uma negociação que acabou esbarrando na recusa dos controladores da empresa, por ser considerada prejudicial para a Varig.

- Era uma proposta maluca e fui totalmente contra - disse um ex-dirigente que prefere não se identificar sem dar detalhes.

Jefferson também falou de uma suposta operação de aplicações financeiras no Banco do Espírito Santo (BES), de Portugal, pelo Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) em troca de benefícios financeiros. Outra operação envolveria o BES, dessa vez com a Eletronorte, "num esquema bilionário", que, segundo o deputado, renderia uma comissão de R$ 40 a R$ 60 milhões, a serem repassados para PT e PTB. Neste caso, acrescentou o deputado, o processo era para "reestatizar" as linhas de transmissão da empresa.

- Era uma operação casada. Pelo que vi, ele (Valério) não só operava contas de publicidade... O careca era embaixador do Brasil para assuntos de telefonia, obras e viação aérea - definiu Jefferson.

À noite, a diretoria da Eletronorte divulgou uma nota afirmando que "não tem conhecimento sobre qualquer estudo de re

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