Deputados do PTB que visitaram o presidente do partido Roberto Jefferson em seu apartamento, disseram nesta sexta-feira que ele não tem fitas com gravações que comprovem sua denúncia do esquema de propina pago a deputados, capazes de aprofundar a crise política, porque ele não é "araponga". A visita aconteceu na quinta, com os deputados José Múcio (PE), Philemon Rodrigues (PB), Josué Bengston (PA) e Arnon Bezerra (CE)
- Ele (Jefferson) pediu que avisasse ao país, à sociedade, que não tem fitas, que fita é coisa de araponga, e araponga ele não é - disse o líder do PTB na Câmara, deputado José Múcio.
Esta declaração se torna contraditória, já que o próprio presidente do PTB, disse em conversas com outros deputados que teria 52 gravações em fitas de diálogos que manteve com outros políticos do governo.
Segundo Múcio, o intuito de Jefferson foi "tranqüilizar algumas pessoas que estão sendo vítimas de ameaças de que há fitas". Ele disse, entretanto, não saber quem são essas pessoas.
Afirmando ter ido ao encontro de Roberto Jefferson para dar "apoio espiritual", Philemon Rodrigues, que é pastor evangélico, foi o primeiro a repassar o recado. Disse que fez orações.
- Vim fazer uma pergunta a ele. Se é verdade que há gravações. E ele me disse que em absoluto tem gravação, porque ele se chama Roberto Jefferson e não Cachoeirinha - disse, em referência ao empresário do jogo Carlos Cachoeira, envolvido no caso Waldomiro Diniz.
Na quarta, durante a entrevista, a mulher de Delúbio Soares, tesoureiro do PT, repassou vários bilhetes para o presidente do partido, José Genoino. Apesar de negar a existência de fitas, os petebistas reafirmaram que Jefferson possui provas das denúncias.
- Ele disse que vai sustentar com sua palavra e com aquilo que ele tem em mãos - disse Philemon Rodrigues, que não informou o tipo de provas citadas.
Jefferson se contradiz ao afirmar que não tem gravações
Sexta, 10 de Junho de 2005 às 07:59, por: CdB