Rio de Janeiro, 11 de Maio de 2026

Jefferson monta cenário para se despedir do mandato

Quinta, 01 de Setembro de 2005 às 10:43, por: CdB

O  relatório no qual é pedida a cassação do mandato do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), autor das denúncias que geraram a maior crise política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quinta-feira, foi definido no Conselho de Ética da Câmara, com ampla margem de votos, após uma seqüência de cenas montadas por Jefferson. Desde uma festa em sua homenagem, que reuniu parlamentares e dirigentes do PTB, na noite desta quarta-feira, até a retirada de seus advogados de defesa, no plenário do Conselho de Ética, foram artifícios utilizados pelo deputado, que tenta se manter no cargo.
 
Jefferson, que está também na lista de "cassáveis" do relatório conjunto das CPIs dos Correios e do Mensalão, já confessou vários crimes,  entre os quais os de sonegação fiscal, tráfico de influência e crime eleitoral.

Seus advogados, Luiz Francisco Barbosa e Itapuã Messias falaram fora do momento autorizado e acusaram a CPI de estar cerceando o direito de defesa de Jefferson. Depois de um bate-boca com o relator Jairo Carneiro (PFL-BA), os advogados deixaram a sessão sob vaias.

Os advogados também pediram para apresentar por escrito uma defesa em relação ao que foi dito, tendo o requerimento negado pelo presidente do Conselho Ricardo Izar (PTB-SP), que chegou a interromper a sessão. Ao sair, Francisco Barbosa disse que é fascismo a decisão do Conselho.
 
Na avaliação do deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), que é membro do Conselho, Jefferson não será cassado por ter feito denúncias sem provas, mas por ter se beneficiado de esquema de recebimento de dinheiro do empresário Marcos Valério, acusado de ser operador do mensalão.

- Não acho que ele vai ser cassado por ter feito as denúncias, mas por ter se beneficiado pelo esquema.É o início de processo de cassação que promete ser longo- avaliou.

Festa de despedida

Em jantar da bancada do PTB nesta quarta-feira, Jefferson afirmou que não gostaria de ter seu processo de cassação protelado. O encontro foi realizado na casa que ainda pertence à família do ex-presidente do PTB José Carlos Martinez, morto em 2004. Alguns detalhes do jantar foram relatados pelo líder do PTB na Câmara, deputado José Múcio Monteiro (PE), nesta quinta-feira.

- Foi um encontro de confraternização. O deputado Roberto Jefferson é muito querido por toda a bancada e havia dois meses não o víamos. Fomos dar um abraço de solidariedade a ele um dia antes da votação da cassação no Conselho de Ética. Não vamos fazer nada para atrasar o processo. Jefferson não quer nada disso. Ele disse que quer que tudo termine logo. Está confiante. Sabe que prestou um serviço importante ao país - disse.
 
A abertura do processo de perda do mandato de Jefferson foi pedida pelo PL que alegou, na representação enviada ao Conselho, que o parlamentar feriu o decoro ao denunciar - sem provas - a existência de um suposto esquema de pagamento de mesada a deputados da base aliada para votar a favor de projetos de interesse do governo.

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