O deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) já prevê a sua saída da presidência do partido até esta sexta-feira, quando será realizada nova reunião da cúpula dos correligionários. Ele irá entregar uma carta na qual afirma querer se afastar do partido, enquanto durarem as investigações do pagamento de propina a deputados do PP e do PL, para que aprovassem projetos de interesse do governo federal.
Nesta quarta-feira, Jefferson irá prestar um depoimento secreto à Corregedoria da Câmara. Falará a um colegiado de parlamentares que tem como principais integrantes dois deputados do PP - Ciro Nogueira (PI) e Robson Tuma (SP) -, partido liderado por José Janene (PR), apontado por Jefferson como um dos operadores do "mensalão".
Ao fazer novas denúncias no domingo, de que o dinheiro provinha de emepresas estatais e privadas, Jefferson afirmou não ter provas concretas. Mas afirmou que o pagamento de propina era conversa recorrente no Congresso.
Além de depor nesta terça-feira, no Conselho de Ética da Câmara, ele também saberá quem serão os parlamentares - um senador e um deputado - que dirigirão a CPI Mista, criada para investigar o caso de corrupção nos Correios. Os líderes governistas resistem em deixar que o PFL indique o senador César Borges (BA) para a relatoria das investigações. Temem que o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), controle a CPI por intermédio de Borges, seu apadrinhado.
Os integrantes da base não querem também que um petista assuma a tarefa de relatar as investigações por considerarem que o partido não tem quadros para o trabalho. Nesta segunda, tentam um acordo com a oposição para a escolha de um outro nome. Encontrarão disposição para negociar no PSDB, mas resistência no PFL. A persistir esse quadro, os cargos de presidente e relator da CPI serão decididos nos votos.
Os candidatos do governo, que devem vencer numa provável disputa, são o líder do PT no Senado, Delcídio Amaral (MS), para a presidência, e o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), para a relatoria.